Caminhoneiros de todo o Brasil iniciam, a partir desta segunda-feira (13), uma paralisação nacional nos portos, mobilização que pressiona o Senado Federal a votar a medida provisória que trata do frete mínimo antes do prazo final de validade. A convocação, liderada pela Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), coloca em xeque o escoamento de cargas essenciais e acirra o debate entre os setores produtivos, com o agronegócio e a indústria manifestando-se contra o texto em tramitação.
A paralisação foi anunciada após o impasse em torno da Medida Provisória 1.234/2025, que estabelece uma tabela de valores mínimos para o frete rodoviário. A Abrava alega que, sem a aprovação da MP, os caminhoneiros autônomos ficam vulneráveis a preços abusivos e à precarização do trabalho. A entidade convocou a categoria a concentrar-se nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Rio Grande (RS), Suape (PE) e Manaus (AM), entre outros, bloqueando o acesso de caminhões às áreas de embarque e desembarque de mercadorias.
Panorama político e pressão no Senado
A mobilização ocorre em um momento de tensão no Congresso Nacional, onde a MP do frete mínimo enfrenta resistência de parlamentares ligados ao agronegócio e à indústria. O Senado tem até o dia 20 de agosto para votar a medida, sob risco de perder a validade. A Abrava exige que a votação ocorra antes do prazo, ameaçando estender a paralisação por tempo indeterminado caso não haja avanço. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, já sinalizou que a pauta será discutida em regime de urgência, mas sem garantia de aprovação.
Enquanto isso, entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticam a MP, argumentando que a tabela de fretes mínimos eleva os custos logísticos e prejudica a competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional. A CNA estima que a paralisação pode gerar perdas de até R$ 2,5 bilhões por dia no agronegócio, afetando principalmente a exportação de soja, milho e carne. Já a CNI alerta para o risco de desabastecimento de insumos industriais, como fertilizantes e peças automotivas.
Impactos econômicos e sociais
A paralisação nos portos já provoca reflexos imediatos na cadeia logística. Dados da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP) indicam que cerca de 60% das cargas que passam pelos portos brasileiros dependem do transporte rodoviário. Com a mobilização, filas de caminhões se formam nas rodovias de acesso, e terminais portuários registram queda de até 40% no movimento. A ATP estima que, se a paralisação durar mais de cinco dias, o prejuízo acumulado pode superar R$ 10 bilhões.
No setor de combustíveis, a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) alerta para o risco de desabastecimento em postos de regiões portuárias, já que a paralisação impede a descarga de navios-tanque. A Abicom recomenda que motoristas estoquem combustível para evitar transtornos. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) monitora a situação e afirma que, por ora, não há risco de colapso, mas reconhece que a situação é crítica.
A Abrava, por sua vez, defende que a paralisação é legítima e que a categoria não recuará até que o Senado vote a MP. O presidente da associação, Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou em nota: “Não estamos pedindo favor, estamos lutando pelo nosso direito a um frete justo. Se o Senado não votar, a paralisação vai se espalhar para outros setores”. A declaração ecoa o tom de mobilizações anteriores, como a greve dos caminhoneiros de 2018, que paralisou o país por 11 dias.
Diante do impasse, o governo federal, por meio do Ministério dos Transportes, tenta mediar a situação. O ministro Renan Filho convocou reuniões com representantes da Abrava, da CNA e da CNI para buscar um acordo que evite a paralisação prolongada. Até o momento, nenhuma proposta concreta foi apresentada, e a categoria mantém a mobilização nos portos.
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