O ex-jogador Joan Capdevila, campeão mundial pela Espanha na Copa de 2010, teve o pedido de autorização eletrônica de viagem (ESTA) recusado pelas autoridades dos Estados Unidos e agora recorre ao presidente Donald Trump para reverter a decisão. A negativa pode impedir sua participação na final do Mundial de 2026, que será sediado em solo americano. O caso expõe as tensões entre celebridades esportivas e as rígidas regras migratórias impostas pelo governo Trump, que têm gerado polêmica internacional.
Capdevila, que atuou como lateral-esquerdo e foi peça-chave na conquista inédita da Espanha na África do Sul, afirmou que o sistema ESTA — programa de isenção de visto para cidadãos de países aliados — foi negado sem explicações claras. Em declaração à imprensa espanhola, o ex-atleta disse estar “surpreso e decepcionado” com a recusa, especialmente por se tratar de um evento esportivo global. “Sempre representei meu país com honra. Não entendo por que meu nome foi barrado”, declarou.
A situação ganhou contornos políticos quando Capdevila decidiu apelar diretamente a Trump, utilizando as redes sociais para pedir ajuda. O ex-jogador marcou o perfil oficial do presidente americano em uma postagem, solicitando “uma chance de estar presente na final do Mundial que ajudei a construir”. Até o momento, a Casa Branca não se pronunciou oficialmente sobre o caso, mas a movimentação reacendeu o debate sobre a política migratória dos EUA, que já afetou artistas, acadêmicos e agora atletas de alto nível.
O Mundial de 2026, que será co-sediado por Estados Unidos, Canadá e México, tem gerado expectativa global, mas também críticas quanto à burocracia para entrada de estrangeiros. A recusa a Capdevila ocorre em meio a um endurecimento das regras do ESTA, que desde 2017 passou a exigir informações mais detalhadas sobre viagens anteriores a países considerados de risco. A Espanha, aliada histórica dos EUA, não está na lista de nações com restrições totais, mas casos como o de Capdevila indicam que mesmo cidadãos de países parceiros podem ser barrados sem justificativa prévia.
Especialistas em direito migratório apontam que a negativa pode estar relacionada a um erro no preenchimento do formulário ou a um falso positivo nos sistemas de segurança americanos. No entanto, a falta de transparência no processo tem gerado críticas de organizações de direitos humanos e de federações esportivas. A Fifa, que organiza o torneio, ainda não se manifestou, mas a pressão para que o governo Trump revise o caso deve aumentar nos próximos dias, especialmente com a proximidade do evento.
Enquanto aguarda uma resposta, Capdevila mantém a esperança de que o apelo direto ao presidente americano surta efeito. “Não quero que isso se torne um caso político. Só quero estar onde sempre estive: ao lado do futebol”, afirmou. O episódio, no entanto, já se tornou um símbolo das contradições de um país que se prepara para receber o maior evento esportivo do planeta, mas que ao mesmo tempo fecha as portas para alguns de seus protagonistas.
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