Casal alagoano dança forró por 38 horas e quebra recorde histórico em concurso tradicional

Em uma demonstração de resistência física e mental, o casal Kitéria Silva e Adriano, conhecido como Jack, estabeleceu um novo recorde no tradicional concurso Pé de Aço, em Colônia Leopoldina, interior de Alagoas. Durante a 24ª edição do evento, realizado no São João da cidade, os dois dançaram forró por 38 horas consecutivas, superando todas as marcas anteriores da competição. Além do título inédito, a dupla levou o prêmio principal de R$ 20 mil, além de brindes acumulados ao longo da prova.

O Pé de Aço é uma das atrações mais aguardadas do calendário junino alagoano e desafia casais a permanecerem dançando forró pelo maior tempo possível, seguindo regras rigorosas. As pausas para necessidades fisiológicas eram limitadas a cinco minutos, período em que o parceiro precisava continuar dançando sozinho. A alimentação e hidratação eram fornecidas na própria pista, sem interrupção da dança. Vencia o casal que resistisse por mais tempo, sem desistir ou descumprir as normas.

Para Kitéria, a vitória teve um significado ainda mais profundo. Em entrevista ao g1, ela revelou que decidiu voltar à competição para ajudar a custear o tratamento do pai, que está doente, e os cuidados com a avó. “Eu fui para ganhar esse prêmio para ajudar nas despesas do meu pai e da minha avó. Treinei minha mente e me preparei para dançar até 48 horas, porque sabia que conseguiria passar das 34 horas sem problemas”, afirmou.

A trajetória de Kitéria no Pé de Aço começou cedo. Aos 16 anos, participou pela primeira vez do concurso e permaneceu 14 horas dançando. Como era menor de idade, precisou da autorização da mãe para competir. Hoje, aos 30 anos, acumula diversos títulos: em uma edição anterior, venceu após 24 horas de forró e, em outra, chegou às 28 horas, quando os cinco casais finalistas decidiram dividir a premiação. Segundo ela, o segredo para suportar tantas horas de prova vai além do preparo físico. “O Pé de Aço não é só dançar com os pés, é dançar com a mente. Eu sofro com crises de ansiedade e preciso controlar tudo isso durante a competição”, contou.

O ambiente da maratona exigiu concentração constante. Além do cansaço extremo, os competidores precisaram lidar com a pressão do público, provocações das torcidas e o desgaste psicológico provocado por tantas horas seguidas de dança. As regras rígidas, com pausas curtas e a necessidade de manter o ritmo mesmo quando o parceiro se ausentava, tornaram a prova ainda mais desafiadora.

O recorde de 38 horas coloca o casal Kitéria Silva e Adriano ‘Jack’ no centro das atenções do cenário junino alagoano, reforçando a tradição do concurso Pé de Aço como um dos mais emblemáticos do estado. A competição, que já teve edições anteriores com duplas dançando por 31, 33 e 34 horas, agora tem um novo marco histórico, que deve inspirar futuros participantes a superar seus próprios limites.

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