Uma nova representação judicial, protocolada em agosto de 2026, pede a abertura de um novo inquérito para o caso Isabella Nardoni, citando a existência de testemunhas inéditas que não foram ouvidas nas investigações originais. O documento solicita a colheita de novos depoimentos e a adoção de medidas de proteção às testemunhas, reacendendo o debate sobre a revisão de um dos casos criminais mais emblemáticos do Brasil.
De acordo com a petição, as novas testemunhas poderiam trazer informações relevantes que não foram consideradas no julgamento que condenou o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, em 2010. A representação argumenta que a oitiva dessas pessoas é essencial para esclarecer pontos ainda obscuros do caso, que envolve a morte da menina de cinco anos, ocorrida em março de 2008, no apartamento do pai, na zona norte de São Paulo.
Medidas de proteção e sigilo
Além do pedido de novos depoimentos, a petição solicita que sejam adotadas medidas de proteção às testemunhas, o que indica que há receio de retaliações ou pressões. O documento também pede que as diligências sejam conduzidas com sigilo, para garantir a integridade das investigações e a segurança das pessoas envolvidas.
O caso Isabella Nardoni ganhou repercussão nacional em 2008, quando a menina foi encontrada morta no chão do edifício onde morava o pai. As investigações apontaram que ela foi jogada do sexto andar, e o casal foi condenado por homicídio qualificado e fraude processual. A condenação, no entanto, nunca foi pacífica, e ao longo dos anos surgiram questionamentos sobre a atuação da perícia e a validade de algumas provas.
Panorama político e jurídico
A nova petição chega em um momento em que o sistema de justiça criminal brasileiro enfrenta pressões por maior transparência e revisão de casos de grande comoção pública. Especialistas apontam que a reabertura de inquéritos, quando baseada em fatos novos, é um mecanismo legítimo para corrigir eventuais erros judiciais, mas alertam para a necessidade de cautela para não desestabilizar a segurança jurídica das decisões já transitadas em julgado.
O caso também reacende o debate sobre a atuação da mídia e a influência da opinião pública em processos criminais. A cobertura intensa do caso Isabella Nardoni, na época, foi criticada por alguns juristas, que apontaram riscos de pré-julgamento. Agora, com a possibilidade de novas testemunhas, a discussão sobre a imparcialidade do sistema de justiça volta à tona.
Até o momento, não há informações oficiais sobre o andamento do pedido, nem sobre a identidade das testemunhas inéditas. A reportagem tenta contato com a defesa do casal e com o Ministério Público de São Paulo para obter esclarecimentos, mas ainda não obteve retorno.
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