A Justiça Eleitoral de Alagoas determinou que a Folha de Alagoas remova do ar matérias que noticiavam uma ação de censura prévia movida contra o prefeito João Henrique Clem (JHC). A decisão, em caráter liminar, atende a pedido da federação partidária do gestor, que alegou direito de resposta. O caso ocorre em Maceió e levanta suspeitas sobre os limites entre liberdade de imprensa e proteção à imagem de políticos.
A ordem judicial obriga o veículo a excluir reportagens que tratavam justamente de uma tentativa anterior de JHC de censurar conteúdos críticos. Na prática, a Justiça censurou a notícia sobre a censura — um movimento que especialistas em direito constitucional classificam como paradoxal. A federação partidária do prefeito é autora da ação e argumenta que as matérias violam a legislação eleitoral.
O caso expõe uma tensão crescente em Alagoas entre o poder público e a imprensa independente. Enquanto isso, o STF interrompeu o julgamento de recursos de big techs sobre responsabilidade por conteúdo ilegal, sinalizando que o debate sobre regulação da mídia está longe de um consenso. A decisão em Maceió pode servir de precedente para outros municípios.
Nos bastidores, a expectativa é que a Folha de Alagoas recorra da liminar, enquanto JHC evita comentar o caso publicamente. O próximo passo dependerá da análise do mérito pela Justiça Eleitoral, que pode redefinir os limites da cobertura política no estado.
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