O chanceler argentino Pablo Quirno minimizou nesta segunda-feira (26) a crise diplomática entre Argentina e Brasil, mas confirmou que o governo de Javier Milei mantém apoio ao senador Flávio Bolsonaro. A declaração ocorre após Milei ter feito ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante convenção do PL, gerando tensão entre os dois países. Em paralelo, a Federação de Municípios da Argentina pediu desculpas formais a Lula pelo ocorrido.
Em entrevista coletiva, Quirno descartou um rompimento institucional entre as nações, classificando o episódio como um desentendimento pontual. No entanto, ele reiterou que o governo argentino apoia Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem especificar em que contexto ou cargo. A declaração acirra ainda mais o clima político, já que Flávio Bolsonaro é figura central na oposição brasileira e alvo de investigações no STF.
Panorama político e impacto regional
A crise expõe a fragilidade das relações bilaterais entre Brasil e Argentina, dois dos maiores parceiros do Mercosul. Enquanto Lula busca fortalecer alianças progressistas na América do Sul, Milei — ultraliberal e aliado de setores conservadores — tem adotado postura hostil, especialmente contra petistas. A fala de Quirno tenta conter danos, mas o apoio explícito a Flávio Bolsonaro sinaliza alinhamento ideológico com a oposição brasileira, o que pode dificultar acordos comerciais e diplomáticos.
Paralelamente, a Federação de Municípios da Argentina emitiu nota oficial pedindo desculpas a Lula, classificando os ataques de Milei como “deselegantes e desnecessários”. A entidade, que reúne prefeitos de diversas correntes políticas, busca preservar laços com o governo brasileiro, essenciais para projetos de integração regional. O episódio também ecoa na política interna brasileira, onde aliados de Lula cobram uma resposta mais dura, enquanto oposicionistas veem na crise uma oportunidade de desgastar o Planalto.
Para analistas, a situação revela o isolamento crescente de Milei na região, já que líderes como Gabriel Boric (Chile) e Gustavo Petro (Colômbia) têm criticado abertamente sua retórica. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro ganha projeção internacional, mas sua associação com Milei pode ser usada por adversários para associá-lo a posições extremistas. O desfecho da crise dependerá da capacidade de ambos os governos em separar o discurso político das relações institucionais.
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