O ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (16) que não há justificativa para as novas tarifas de 25% anunciadas pelo governo dos Estados Unidos a produtos brasileiros. Segundo Vieira, as medidas adotadas contra o Brasil, desde o início, tiveram ‘motivação política’ e ‘não têm lastro com a realidade’. A declaração ocorre após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmar a proposta de um novo ‘tarifaço’ com uma extensa lista de itens isentos, com entrada em vigor prevista para 22 de julho.
As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico com autoridades norte-americanas, afirmou Vieira. A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.
Reuniões e negociações
Ainda segundo Vieira, somente com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, e o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, foram 11 contatos — incluindo as reuniões entre os presidentes brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e americano Donald Trump. O Brasil está, portanto, negociando com os Estados Unidos desde antes o tarifaço original, anunciado em 2 de abril de 2025, prosseguiu. O chanceler destacou também que no próprio dia 2 de abril ele conversou por telefone com Greer, quando a tarifa aplicada ao Brasil era de 10%, o menor patamar adotado pelos EUA para outros países.
O chanceler lembrou ainda da carta de Donald Trump, publicada no ano passado, ameaçando impor novas tarifas ao Brasil e determinando a abertura da investigação contra o país. Após a carta do presidente Trump ao presidente Lula, de 9 de julho de 2025, as tarifas foram elevadas a 50% por expressa motivação política em tentativa de interferência no poder Judiciário brasileiro, argumentou. Na ocasião, Trump anunciou a intenção de impor tarifas adicionais contra produtos brasileiros e vinculou a decisão a críticas ao tratamento dado pelo Brasil ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o presidente norte-americano, Bolsonaro estaria sendo alvo de uma ‘caça às bruxas’ e classificou o processo contra o ex-presidente brasileiro como uma ‘vergonha internacional’. A carta também determinou a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil com base na Seção 301 da legislação americana.
Panorama político e econômico
O anúncio das novas tarifas ocorre em um contexto de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, com impactos diretos sobre setores produtivos brasileiros. O Itamaraty identificou 43 empresas e associações dos EUA que rejeitam a sobretaxa a produtos brasileiros, enquanto o setor produtivo dos dois países propõe nova rodada de negociação para evitar o tarifaço de 25%. A pressão americana contra a medida também se intensifica, com o Brasil correndo contra o tempo para evitar novas tarifas a dez dias do prazo final. O senador Flávio Bolsonaro pediu suspensão das tarifas dos EUA contra o Brasil e alertou para o fortalecimento político de Lula. O chanceler Mauro Vieira, ao rebater críticas de Marco Rubio, classificou as declarações como ‘ofensivas’ ao Brasil, reforçando a posição brasileira de que as medidas não têm justificativa técnica e são movidas por interesses políticos.
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