O PSD definiu Gilberto Kassab como pré-candidato a vice-presidente ao lado de Ronaldo Caiado, formando uma chapa “puro-sangue” para a eleição de outubro, sem conseguir a adesão de outros partidos até o momento. A ausência de interessados em uma aliança impacta tanto nos recursos para a campanha quanto no tempo de propaganda para Caiado. Caso consiga a união com outras siglas, os valores e tempos de rádio e TV do PSD seriam somados com os parceiros.
Em 2026, o PSD receberá R$ 421 milhões do fundo eleitoral. Os números valem tanto para a eleição presidencial quanto para as disputas pelos governos estaduais e por vagas no Senado e na Câmara dos Deputados — a divisão do valor depende da decisão de cada partido. Outro cálculo diretamente ligado à união ou não de partidos em alianças é o de propaganda de TV. O PSD tem direito a 55 segundos nesta eleição, caso lance uma chapa sozinho. O tempo aumenta a cada nova sigla que aderir ao projeto.
Polarização nacional dificulta avanço de terceira via
Para Fernando Schüler, cientista político e professor do Insper, “a coligação é muito mais interessante porque ela não só agrega força política como agrega recurso para a campanha”. O especialista avalia que o cenário de uma polarização entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) desde o 1º turno está entre os fatores que dificultam o avanço e fortalecimento de outras candidaturas, além de interferir no apoio local dentro dos próprios partidos fora dessa dualidade. Pesquisa Datafolha de 20 de junho mostra Lula com 41% das intenções de voto contra 31% de Flávio, no 1º turno. Os demais candidatos não passam de 3% cada.
Impacto da chapa pura nos recursos e na propaganda
Pelas regras eleitorais, a escolha do nome do vice, por si só, não altera os recursos da campanha nem o tempo de propaganda no rádio e na televisão. No entanto, mantém no patamar básico de cada sigla. Estes cálculos são baseados no tamanho dos partidos ou federações que compõem a chapa. Isso é medido pelo número de deputados federais eleitos pelos partidos (as chamadas bancadas): quanto maior a bancada, mais recursos e tempo. Ou seja: se Caiado concorre pelo PSD com Kassab ou com outro vice do próprio PSD, os recursos e o tempo de TV são os mesmos. A conta só muda se outro partido entrar formalmente na coligação — mudando ou não a chapa para um vice dessa nova sigla aliada.
O PSD tentou aproximações com Romeu Zema, presidenciável do Novo, sem obter sucesso. Com três deputados federais, o partido soma 4 segundos de rádio e TV, além de R$ 37 milhões do fundo eleitoral. A ausência de alianças amplas também reflete a fragmentação do cenário político, onde partidos médios como o PSD buscam espaço em meio à polarização entre PT e PL. Enquanto isso, a estratégia de chapa pura pode limitar a capilaridade da campanha de Caiado nos estados, especialmente nos quatro maiores colégios eleitorais do país — São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia — onde o PSD não terá palanque unificado, conforme reportagem anterior do Republica do Povo.
Fonte: ver noticia original

