O Lago de Furnas, um dos principais reservatórios do sistema elétrico brasileiro, voltou a subir em pleno inverno e atingiu 67% do volume útil, impulsionado por chuvas 83% acima da média histórica registrada em junho no Sul de Minas Gerais. A recuperação, que já mudou a paisagem em pontos como a ponte entre Passos (MG) e São João Batista do Glória (MG), pode trazer reflexos diretos para o bolso do consumidor, reduzindo a pressão sobre as bandeiras tarifárias nos próximos meses, segundo especialistas ouvidos pelo g1 Sul de Minas.
O fenômeno, considerado atípico para a estação, foi explicado pelo professor Carlos Barreira Martinez, chefe do laboratório Termo Hidroelétrico da Unifei. “Tivemos a passagem de frentes frias e a entrada de massas de ar úmido, o que proporcionou chuvas acima da média em praticamente toda a bacia de Furnas”, afirmou Martinez. Ele destacou ainda que a estratégia de operação do sistema elétrico nacional priorizou a preservação da água nos reservatórios, permitindo a elevação do nível e a formação de uma reserva maior para os próximos meses.
O reservatório, que havia iniciado o outono com cerca de 56% da capacidade, agora se beneficia de um cenário climático incomum. Meteorologistas atribuem o inverno atípico à atuação frequente de frentes frias e à maior umidade, o que favoreceu volumes de chuva acima do normal para o período. A recuperação já é visível em áreas que estavam expostas durante a estiagem, como a ponte entre Passos e São João Batista do Glória, onde a água voltou a ocupar o leito original.
Impactos no sistema elétrico e na economia
Com mais água disponível nos reservatórios, diminui a necessidade de acionar usinas termelétricas, que têm custo de geração mais elevado. “Isso ajuda a reduzir a pressão sobre as bandeiras tarifárias”, destacou o professor Martinez. Ele ponderou, no entanto, que o valor da conta de luz depende das condições de todo o sistema elétrico brasileiro, já que a geração de energia é interligada. A recuperação do Lago de Furnas também beneficia o turismo e atividades de lazer, importantes para a economia de cidades da região, como Passos, Alfenas e Guapé.
O cenário atual contrasta com as preocupações do início do ano, quando o nível do lago estava em queda. A combinação de chuvas acima da média e uma gestão hídrica mais cautelosa por parte do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) permitiu que o reservatório se recuperasse antes do período seco tradicional. Ainda assim, especialistas alertam que a sustentabilidade do sistema depende de chuvas regulares nos próximos meses e de investimentos em fontes renováveis.
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