Clérigo xiita brasileiro troca PT pelo União Brasil e denuncia ataques virtuais após filiação

O primeiro clérigo xiita brasileiro, Rodrigo Jalloul, anunciou sua filiação ao partido União Brasil após deixar o PT (Partido dos Trabalhadores), legenda pela qual foi candidato a vereador em 2024. Em declaração à imprensa, Jalloul afirmou ser alvo de ataques virtuais desde a mudança partidária, atribuindo as críticas a setores políticos e religiosos que questionam sua trajetória e posições.

Jalloul, que já foi deportado do Irã em 2013, tem se destacado no cenário nacional como uma figura religiosa singular, sendo frequentemente consultado sobre temas do Oriente Médio e política externa. Sua saída do PT ocorre em meio a um realinhamento político no Brasil, onde figuras de diferentes espectros buscam novos abrigos partidários para as eleições de 2026. O União Brasil, partido de centro-direita, tem atraído dissidentes de legendas tradicionais, ampliando sua base de apoio.

O ex-petista já havia gerado controvérsia ao aprovar a postura do governo Lula diante da guerra do Irã, posição que contrasta com a linha mais crítica de setores da esquerda brasileira. Agora, sua filiação ao União Brasil é vista como mais um movimento de aproximação com o centro político, em um momento de polarização acirrada no país.

Os ataques virtuais mencionados por Jalloul incluem acusações de oportunismo político e questionamentos sobre sua identidade religiosa. Ele nega qualquer incoerência e afirma que sua decisão foi baseada em convergências programáticas com o novo partido. O episódio reflete as tensões entre religião e política no Brasil, onde líderes religiosos frequentemente enfrentam escrutínio público ao se envolverem em disputas partidárias.

O panorama político geral indica que a migração de figuras como Jalloul para o União Brasil pode fortalecer a legenda em nichos específicos, como o eleitorado religioso e de centro. No entanto, também expõe o partido a críticas de setores que veem a filiação como uma tentativa de capitalizar sobre a imagem de uma minoria religiosa. A situação de Jalloul é um exemplo das complexas interseções entre fé, política e identidade no Brasil contemporâneo.

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