A direita colombiana venceu a eleição presidencial neste domingo (26), com a vitória do advogado e empresário Abelardo De La Espriella, que derrotou o candidato da esquerda Iván Cepeda por uma margem apertada de votos. O resultado encerra o ciclo do governo de Gustavo Petro, que comandou o país desde 2022, e inaugura uma nova fase política na Colômbia, marcada por promessas de segurança, crescimento econômico e revisão de acordos de paz.
A disputa foi uma das mais acirradas da história recente colombiana. De La Espriella, que liderou pesquisas de intenção de voto nas últimas semanas, obteve 50,2% dos votos válidos, contra 49,8% de Iván Cepeda, candidato do Pacto Histórico e herdeiro político do ex-presidente Gustavo Petro. A diferença foi de menos de 200 mil votos, em um pleito que registrou abstenção recorde de 47%, segundo dados oficiais da Registraduría Nacional del Estado Civil.
Panorama político e impacto da transição
A vitória de Abelardo De La Espriella representa uma guinada conservadora na Colômbia, após quatro anos de governo progressista de Gustavo Petro. O novo presidente, de 54 anos, construiu sua campanha em torno de três pilares: combate ao narcotráfico com mão firme, redução de impostos para empresas e reforma do sistema de saúde. Em seu primeiro discurso como presidente eleito, De La Espriella afirmou que “a Colômbia precisa de ordem, progresso e união nacional” e prometeu dialogar com todos os setores, mas sem abrir mão de sua agenda de direita.
Já Iván Cepeda, senador e ativista de direitos humanos, reconheceu a derrota e pediu calma a seus apoiadores. Em pronunciamento, ele declarou que “a luta por justiça social e paz não termina aqui” e que seu movimento continuará atuando no Congresso e nas ruas. A transição de governo está prevista para ocorrer em 7 de agosto, quando De La Espriella assumirá oficialmente o cargo.
Reações internacionais e cenário regional
A eleição colombiana foi acompanhada de perto por líderes da América Latina. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, parabenizou De La Espriella e disse esperar “relações de cooperação e respeito mútuo” entre os dois países. Já o governo da Venezuela, de Nicolás Maduro, expressou preocupação com a vitória da direita, enquanto os Estados Unidos, por meio do Departamento de Estado, elogiaram “a solidez democrática colombiana”.
Analistas políticos apontam que o resultado pode influenciar eleições futuras na região, especialmente no Equador e no Peru, onde forças de direita tentam se consolidar. A Colômbia, terceira maior economia da América do Sul, agora se alinha a governos conservadores como os do Chile de Evelyn Matthei e da Argentina de Javier Milei, formando um bloco de direita no continente.
Desafios do novo governo
O presidente eleito Abelardo De La Espriella herda um país com desafios complexos. A economia colombiana cresceu 1,8% em 2025, abaixo da média regional, e a inflação acumulada em 12 meses chegou a 9,2%. A violência nas zonas rurais, alimentada por grupos armados e pelo narcotráfico, continua sendo um problema crítico: em 2025, foram registrados mais de 12 mil homicídios, segundo o Instituto Nacional de Medicina Legal. Além disso, o processo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) enfrenta resistência de setores da direita, que defendem uma renegociação dos acordos.
De La Espriella já sinalizou que pretende endurecer as penas para crimes relacionados ao tráfico de drogas e ampliar a presença militar em regiões controladas por grupos criminosos. Na economia, prometeu reduzir a carga tributária para empresas de pequeno e médio porte e incentivar investimentos estrangeiros no setor de energia e infraestrutura. No entanto, a margem apertada de votos indica que o novo presidente terá que governar com um Congresso dividido, onde seu partido, o Centro Democrático, não tem maioria absoluta.
A eleição de Abelardo De La Espriella marca o fim de um ciclo político iniciado com a vitória de Gustavo Petro em 2022, que representou a primeira vez que a esquerda chegou ao poder na Colômbia. Agora, o país se prepara para uma nova era, com promessas de mudanças profundas, mas também com incertezas sobre a capacidade de diálogo e governabilidade em um cenário de forte polarização.
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