Condenação de 20 anos por feminicídio em Sumaré: 24 facadas e crueldade na execução

Um homem foi condenado a 20 anos de prisão por matar a companheira com 24 facadas, em Sumaré (SP). A sentença foi proferida nesta quinta-feira (17) pela 1ª Vara Criminal da cidade. A decisão judicial considerou que Ademir Gomes dos Santos cometeu o crime de feminicídio por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima. Ainda cabe recurso, mas o réu teve o direito de recorrer em liberdade negado.

O crime ocorreu na madrugada de 6 de abril de 2024, no bairro Nova Veneza. Na época, Ademir confessou que matou Gislaine Aparecida de Almeida por ciúmes, após uma suposta traição. O casal estava junto há oito anos.

Detalhes da sentença e da execução

Para o juiz, a quantidade de golpes demonstrou “crueldade na execução” e elevou o grau de reprovação da conduta. Ainda segundo a decisão, a vítima foi atacada de surpresa, sem possibilidade de reação, e exames apontaram elevado teor alcoólico, o que teria aumentado a vulnerabilidade no momento do ataque.

O g1 pediu posicionamento à defesa de Ademir mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.

Panorama político e social

O caso de Sumaré se insere em um contexto mais amplo de violência de gênero no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicam que, em 2023, o país registrou uma média de uma mulher morta a cada 6 horas por feminicídio. A condenação de Ademir Gomes dos Santos reflete a aplicação da Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015), que prevê penas mais severas para crimes cometidos contra mulheres por razões de gênero. A decisão judicial também destaca a importância de se considerar a vulnerabilidade da vítima e a crueldade na execução como agravantes.

O caso gerou comoção na região de Campinas e reacendeu o debate sobre a eficácia das medidas protetivas e da prevenção à violência doméstica. Organizações de defesa dos direitos das mulheres, como o Instituto Maria da Penha, reforçam a necessidade de políticas públicas integradas para combater o feminicídio, que ainda é uma das principais causas de morte violenta de mulheres no país.

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