Congresso adia instalação de comissão da MP da ‘taxa das blusinhas’ pela segunda vez; imposto de 20% pode voltar em setembro

O Congresso Nacional adiou pela segunda vez a instalação da comissão mista que analisa a medida provisória (MP) que zera o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, a chamada ‘taxa das blusinhas’. A nova data prevista no sistema do Senado é 1º de setembro, às 14h30. Se a MP não for aprovada até 8 de setembro, a tributação de 20% será retomada a partir de 9 de setembro, impactando diretamente consumidores que utilizam plataformas internacionais de comércio eletrônico.

O adiamento ocorre em meio a um cenário político conturbado. A tramitação da MP estava travada devido ao rompimento entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), após o senador articular a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF) no fim de abril. Nos últimos dias, os dois retomaram o diálogo, e a instalação da comissão é vista como um gesto de Alcolumbre ao governo. No entanto, a indefinição sobre os nomes que ocuparão a presidência e a relatoria do colegiado ainda gera entraves.

Impacto para os consumidores e o comércio eletrônico

A ‘taxa das blusinhas’ foi criada pelo governo e, posteriormente, revogada por meio da MP editada em 12 de maio. A medida transferiu para o Congresso a decisão de manter ou derrubar a cobrança, em um ano eleitoral. Parlamentares, principalmente os que concorrem à reeleição para a Câmara e o Senado, pressionam pelo avanço da matéria devido ao apelo popular. A decisão do governo de editar a MP foi interpretada por integrantes do Centrão e da oposição como uma iniciativa de caráter eleitoral.

Consumidores brasileiros argumentam que a cobrança encarece produtos populares e de baixo valor, reduzindo a atratividade das plataformas internacionais. Críticos também apontam uma diferença de tratamento em relação às compras feitas no exterior: turistas que retornam ao Brasil podem trazer produtos sem pagar imposto, respeitando o limite da cota de isenção. Com a nova regra, o ministro da Fazenda passou a ter competência para alterar as alíquotas do imposto de importação das remessas postais internacionais, inclusive reduzindo a zero a tributação de até US$ 50.

Panorama político e próximos passos

O adiamento da instalação da comissão mista reflete a complexidade do cenário político em Brasília. A relação entre o Executivo e o Legislativo segue sensível, e a MP se tornou um símbolo das tensões entre os poderes. Enquanto isso, a pressão popular e o calendário eleitoral aumentam a urgência por uma definição. A nova data, 1º de setembro, coloca a análise da MP em um cronograma apertado, já que o prazo final para aprovação é 8 de setembro. Caso a comissão não seja instalada ou a MP não seja votada a tempo, a ‘taxa das blusinhas’ volta a ser cobrada, gerando novo desgaste político e impacto direto no bolso dos consumidores.

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