O Congresso Nacional retomou oficialmente os trabalhos nesta terça-feira (3), após duas semanas de recesso parlamentar, mas sem previsão de sessão plenária deliberativa tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado. A decisão, tomada pelos presidentes das duas Casas, limita as votações a duas semanas de “esforço concentrado” – a primeira entre 10 e 14 de agosto, e a segunda entre 31 de agosto e 3 de setembro –, em função do calendário eleitoral. Com isso, a expectativa é que as votações nos plenários ocorram apenas nesses períodos até as eleições gerais de outubro, repetindo o histórico de semestres eleitorais esvaziados.
Entre os projetos que ficaram pendentes no primeiro semestre e que podem entrar na pauta de agosto está a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1. A proposta segue na mesa do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sem indicação de quando será encaminhada à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Apesar da pressão do governo para votar o tema antes das eleições, a oposição defende uma PEC alternativa que mantenha a possibilidade da escala 6×1, o que cria um impasse no andamento da matéria.
Outro tema que o governo gostaria de ver votado é a PEC da Segurança Pública, já aprovada na Câmara e que aguarda deliberação no Senado. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem cobrado publicamente Alcolumbre para colocar a proposta em votação, mas até o momento não há data definida. No Senado, também há expectativa para a votação do projeto de lei que regula a exploração de minerais críticos, já aprovado pela Câmara, e que é considerado estratégico para o desenvolvimento tecnológico e energético do país.
O Congresso ainda precisa votar os projetos de lei orçamentários – a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027, que o governo deve encaminhar até 31 de agosto. Além disso, há 87 vetos presidenciais que trancam a pauta do Legislativo, incluindo vetos a projetos de regulamentação de emendas e outras matérias relevantes, o que pode atrasar ainda mais a análise das prioridades do governo e da oposição.
Panorama político e impacto das eleições
O cenário de esvaziamento legislativo é típico de anos eleitorais, quando parlamentares priorizam as campanhas em seus estados e municípios. A decisão de concentrar as votações em duas semanas reflete a dificuldade de formar quórum qualificado para deliberar temas polêmicos, como a PEC da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública. A ausência de sessões deliberativas na primeira semana de retorno também indica que os líderes partidários estão focados em acordos políticos e na articulação das candidaturas, em vez de pautas legislativas.
Especialistas apontam que a janela de votação até outubro é curta e que temas sensíveis podem ficar para o segundo semestre pós-eleições, quando o novo Congresso tomará posse. A pressão do governo para aprovar a PEC da Segurança Pública e a regulação dos minerais críticos, no entanto, mostra a urgência em avançar com a agenda econômica e de segurança, mesmo em um período de baixa produtividade legislativa.
Enquanto isso, a sociedade acompanha com atenção os desdobramentos das pautas pendentes, que impactam diretamente a vida dos trabalhadores, a segurança pública e o futuro da exploração de recursos estratégicos. A retomada dos trabalhos, ainda que limitada, sinaliza que o Congresso não está totalmente paralisado, mas a efetividade das decisões dependerá da capacidade de articulação entre os poderes e das prioridades definidas pelos líderes partidários.
Fonte: ver noticia original

