O domínio do estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, transformou-se na principal moeda de troca do Irã nas relações com os Estados Unidos. A avaliação é de analistas que acompanham o tabuleiro geopolítico do Oriente Médio, em meio à escalada de tensões entre os dois países.

Enquanto Washington intensifica a pressão militar — foram nove noites seguidas de bombardeios contra alvos iranianos —, Teerã sinaliza que pode fechar a torneira do comércio marítimo global. A ameaça inclui o bloqueio de Bab-el-Mandeb, outra rota vital que responde por 12% do tráfego naval do planeta.

O analista consultado destaca, porém, que a desconfiança iraniana em relação a qualquer acordo com os americanos segue como obstáculo central. Para ele, o histórico de acordos descumpridos e sanções recorrentes faz com que o regime de Teerã enxergue qualquer negociação como armadilha, não como oportunidade.

O movimento dos houthis, aliados do Irã, que declararam embargo marítimo contra a Arábia Saudita, reforça a percepção de que o controle das rotas não é apenas retórica. É ferramenta concreta de pressão, com efeitos imediatos no preço do barril e no abastecimento global.

O próximo passo esperado é a resposta americana à ameaça iraniana, que pode vir por vias diplomáticas ou com novo aumento da presença naval na região. O mundo, por ora, observa o xadrez com o fôlego preso — e os postos de gasolina, atentos.

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