As convenções partidárias, tradicionalmente o palco oficial para a definição de candidaturas, perderam seu papel de desfecho no cenário político brasileiro. Em meio a intensas negociações de bastidores, os casos do senador mineiro Cleitinho, do Republicanos, e do ex-prefeito de Maceió JHC (João Henrique Caldas), do PSDB, ilustram como as indefinições sobre quem disputará os governos estaduais e o Senado em 2026 sobreviveram até mesmo à realização das convenções, conforme análise da coluna de Lara Mesquita, publicada na Folha de S.Paulo.
No cenário nacional, a reportagem destaca que as reviravoltas na definição de candidaturas ganharam destaque no noticiário recente. O caso do senador Cleitinho é emblemático: sua candidatura ao governo de Minas Gerais atravessou sucessivas reviravoltas, com o Republicanos recuando e, posteriormente, liberando o parlamentar para concorrer ao Palácio da Liberdade. A decisão final, no entanto, não foi selada nas convenções, mas sim em acordos costurados nos corredores do poder, refletindo a fragilidade dos rituais partidários diante da política pragmática.
Em Alagoas, a situação se repete com JHC, ex-prefeito de Maceió e pré-candidato ao governo estadual. Segundo a coluna, o nome de JHC oscilou entre uma disputa ao Senado e a candidatura majoritária ao Executivo estadual, com especulações que se arrastaram por semanas. As convenções, que deveriam encerrar o impasse, não foram suficientes para pacificar os ânimos ou definir um rumo claro, evidenciando que as decisões mais relevantes continuam sendo tomadas em negociações privadas, longe dos holofotes e dos palanques oficiais.
Panorama político: a era das indefinições
O fenômeno observado em Minas Gerais e Alagoas não é isolado. A coluna sugere que a perda de protagonismo das convenções partidárias reflete uma tendência mais ampla na política brasileira, onde alianças são formadas e desfeitas em ritmo acelerado, muitas vezes guiadas por pesquisas de opinião e pela aritmética eleitoral. A demora na definição de candidaturas, que antes era vista como um erro tático, agora parece ser uma estratégia deliberada para manter margem de manobra e atrair apoios de última hora.
Para os partidos, a indefinição prolongada pode ser uma forma de pressionar por maiores espaços na chapa majoritária ou de testar a viabilidade eleitoral de seus nomes. Para os candidatos, por outro lado, a espera gera desgaste e incerteza, mas também pode significar a chance de consolidar uma base mais sólida antes do anúncio oficial. O resultado prático, como mostram os casos de Cleitinho e JHC, é que as convenções partidárias, previstas em calendário oficial, tornaram-se meras formalidades, incapazes de encerrar as disputas internas que definem os rumos das eleições estaduais.
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