A Seleção Brasileira entra em campo neste domingo (5) para enfrentar a Noruega em partida válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, nos Estados Unidos, em um jogo decisivo que ocorre a três meses do primeiro turno das eleições presidenciais de outubro. No Brasil, o futebol tem forte impacto social e já foi explorado politicamente – a exemplo do que ocorreu na ditadura militar, durante o governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974). Mas, nos dias de hoje, no maior período democrático da história do Brasil, o futebol e a busca pelo sonho do hexacampeonato mundial podem influenciar as eleições presidenciais? O g1 perguntou a especialistas se o resultado nas quatro linhas é, de algum modo, levado em consideração pelo eleitor na hora de decidir o voto e como uma vitória, ou uma derrota, pode ajudar ou atrapalhar um candidato ao Palácio do Planalto.
Título ajuda o presidente de ocasião?
Renata Coelho, especialista de comportamento eleitoral, afirma que um título da seleção pode, de forma sutil, fortalecer a imagem do presidente que está no poder naquele momento. Segundo a analista, o fenômeno não acontece de maneira racional no imaginário do eleitor, mas por meio de uma “transferência emocional”. Durante momentos de mobilização e contentamento nacional, os cidadãos tendem, mesmo que por um curto período, a ficar mais satisfeitos com o cenário, inclusive com a situação do governo. “Ninguém acorda depois de um título e pensa conscientemente ‘o Brasil ganhou, logo vou votar no presidente’. O que acontece é uma transferência emocional que gera um sentimento de satisfação com a situação atual das coisas, inclusive com o governo”, comentou Renata, que tem mestrado na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).
Gustavo Javier Castro, filósofo e mestre em ciência política e relações internacionais, afirma que as grandes vitórias da Seleção Brasileira costumam produzir um ambiente de euforia coletiva e de reforço simbólico da identidade nacional. Em determinados contextos, de acordo com o filósofo, isso pode gerar ganhos indiretos para governos em exercício, sobretudo no plano da percepção pública e do humor social. Contudo, segundo Castro, é importante evitar conclusões precipitadas, já que o contexto econômico, social e institucional do país é a principal influência.
E uma derrota? Pode impactar a disputa eleitoral?
Os especialistas também avaliam que uma derrota da Seleção Brasileira pode gerar frustração coletiva, mas não necessariamente se traduz em perda de votos para candidatos. Renata Coelho destaca que o impacto negativo tende a ser diluído, a menos que o governo esteja associado diretamente ao evento, como ocorreu em regimes autoritários. Em democracias, a derrota esportiva raramente é atribuída a governantes, a menos que haja uma campanha política que explore o fato.
O que muda em 2026?
O cenário de 2026 é marcado por eleições presidenciais competitivas, com múltiplos candidatos e uma polarização política intensa. Gustavo Javier Castro ressalta que, em um ambiente de alta desconfiança institucional e crise econômica, o futebol pode ter um papel menor do que em épocas de estabilidade. Ainda assim, a Copa do Mundo serve como um termômetro do humor social, que pode influenciar indiretamente a percepção dos eleitores sobre o governo e a oposição. A Seleção Brasileira, com sua história de conquistas, continua sendo um símbolo nacional capaz de mobilizar emoções, mas os especialistas concordam que o voto é determinado por fatores mais estruturais, como economia, corrupção e propostas políticas.
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