A Corregedoria da Polícia Civil de Alagoas vai analisar a expulsão de um policial indiciado pela morte de dois colegas em uma viatura, após a conclusão do inquérito policial. O agente, que segue preso preventivamente, pode ser desligado da corporação caso o processo administrativo interno conclua pela demissão. O caso, que chocou a categoria e a população alagoana, envolve um acidente de trânsito ocorrido durante o serviço, resultando na morte de dois policiais que estavam na mesma viatura.
De acordo com as investigações, o policial indiciado conduzia o veículo oficial em alta velocidade quando perdeu o controle e colidiu contra um poste. O impacto foi tão violento que os dois colegas, que estavam no banco traseiro, morreram na hora. O condutor sobreviveu e foi socorrido com ferimentos leves, mas, após ser ouvido pela delegacia especializada, foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e por lesão corporal culposa. A prisão preventiva foi decretada pela Justiça, que considerou o risco de fuga e a gravidade do ocorrido.
Panorama político e institucional
O caso ganhou repercussão nacional e acendeu um debate sobre a segurança no trânsito e a responsabilidade de agentes públicos no exercício da função. A Polícia Civil de Alagoas, por meio de nota, informou que o processo administrativo disciplinar será conduzido pela Corregedoria, que pode aplicar desde uma suspensão até a demissão, dependendo da gravidade das infrações apuradas. A categoria, representada pelo Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas, manifestou solidariedade às famílias das vítimas e cobrou celeridade nas investigações, mas também alertou para a necessidade de melhorias nas condições de trabalho e treinamento dos agentes.
O inquérito policial, concluído em 30 dias, apontou que o policial dirigia em velocidade incompatível com a via, em uma área urbana, e que não houve frenagem antes da colisão. Testemunhas relataram que a viatura estava em alta velocidade e que o motorista parecia estar em manobra arriscada. A perícia técnica confirmou que o veículo estava em boas condições mecânicas, descartando falhas como causa do acidente. O laudo pericial também indicou que os policiais mortos não usavam cinto de segurança, o que pode ter agravado as lesões.
O caso reacendeu o debate sobre a cultura de direção perigosa entre agentes de segurança pública, que muitas vezes são treinados para dirigir em alta velocidade em situações de emergência, mas que, em contextos cotidianos, podem colocar em risco a própria vida e a de terceiros. A Secretaria de Segurança Pública de Alagoas anunciou que vai revisar os protocolos de direção defensiva e de uso de equipamentos de segurança nas viaturas, como cintos e capacetes, para evitar novas tragédias.
Enquanto aguarda o julgamento criminal, o policial indiciado permanece preso no Centro de Detenção Provisória de Maceió. A defesa do agente afirmou que vai recorrer da decisão e que o policial está abalado com a morte dos colegas, com quem trabalhava há anos. A família das vítimas, por sua vez, pede justiça e que o caso sirva de exemplo para que outros policiais adotem uma postura mais responsável no trânsito.
O processo administrativo na Corregedoria deve ser concluído em até 90 dias, e a decisão final caberá ao Delegado-Geral da Polícia Civil de Alagoas. Caso a expulsão seja confirmada, o policial perderá o cargo público e todos os benefícios associados, além de ficar inelegível para cargos públicos por oito anos, conforme a Lei de Improbidade Administrativa. O caso também pode gerar um precedente para a responsabilização de agentes de segurança por acidentes de trânsito no exercício da função.
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