A **Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado**, no âmbito do **Senado Federal**, registrou nesta quarta-feira (8) a terceira ausência do ex-presidente do **Banco Central (BC)**, **Roberto Campos Neto**, a um depoimento crucial. Convocado na condição de testemunha qualificada, o economista não compareceu à reunião, com seus advogados alegando que a obrigatoriedade de sua presença violaria uma decisão anterior do **Supremo Tribunal Federal (STF)**, acirrando o debate sobre os limites da atuação parlamentar e a colaboração institucional na apuração de esquemas criminosos no país.
A insistência da defesa de **Campos Neto** em não atender à convocação da CPI ressalta a tensão entre os poderes e a complexidade das investigações que envolvem figuras de alto escalão. Seus advogados comunicaram ao colegiado que a exigência de sua presença contrariava um entendimento do **STF**, que já havia transformado uma convocação anterior em convite, tornando facultativa a participação do ex-presidente do BC. A comissão, no entanto, reitera a necessidade de seu conhecimento técnico para aprofundar as apurações sobre a atuação e expansão de facções criminosas no Brasil, conforme noticiado pela **Agência Brasil**.
Esta é a terceira tentativa frustrada da CPI de ouvir o economista, que presidiu o **BC** entre 2019 e 2024. A primeira ocorreu em **3 de março**, quando o **Ministro André Mendonça**, do **Supremo Tribunal Federal (STF)**, interveio para converter a convocação em convite. O presidente do colegiado, **Senador Fabiano Contarato (PT-ES)**, enfatizou que **Campos Neto** foi inicialmente convidado e, posteriormente, convocado, devido à sua capacidade de contribuir de forma relevante para os trabalhos da CPI, criada com o objetivo de investigar a atuação, expansão e o funcionamento de facções criminosas no Brasil.
O cenário de repetidas ausências e embates jurídicos adiciona uma camada de complexidade ao panorama político nacional. A **CPI do Crime Organizado** representa um esforço do Poder Legislativo para desvendar as ramificações do crime organizado, que impactam diretamente a economia e a segurança pública. A recusa em depor, mesmo que amparada por decisões judiciais, pode ser interpretada como um obstáculo à transparência e à efetividade das investigações, gerando questionamentos sobre a capacidade do Estado de combater estruturas criminosas que muitas vezes se infiltram em setores estratégicos da sociedade e da economia.
A persistência da comissão em buscar o depoimento de **Campos Neto** reflete a percepção de que informações de sua gestão no **Banco Central** poderiam ser cruciais para entender fluxos financeiros e mecanismos de lavagem de dinheiro, elementos intrínsecos à operação de facções criminosas. O impasse atual não apenas atrasa os trabalhos da CPI, mas também projeta uma sombra sobre a cooperação entre as instituições, num momento em que o país clama por respostas contundentes no enfrentamento ao crime organizado e à corrupção, conforme acompanhado de perto pela **Agência Brasil**.
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