O crescimento do poder do Parlamento não serviu apenas para inverter o equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo. Servirá nesta eleição para dar chance ao eleitorado de desmentir a escrita de que o próximo Congresso será sempre pior que o anterior, conforme análise publicada na coluna de Dora Kramer, na Folha de S.Paulo, em 6 de junho de 2026.
A avaliação destaca que o fortalecimento do Legislativo nas últimas décadas alterou profundamente a dinâmica política brasileira, transferindo para o Congresso Nacional um protagonismo que antes era concentrado no Executivo. Esse movimento, no entanto, não veio acompanhado de uma melhoria na qualidade da representação parlamentar, o que torna a eleição de 2026 um momento crucial para a sociedade reverter essa trajetória.
Segundo a colunista, a formação do próximo Parlamento é uma tarefa que cabe à sociedade, e não apenas aos partidos ou às lideranças políticas. O eleitorado tem, nas urnas, a oportunidade de escolher candidatos que possam elevar o nível do debate e da produção legislativa, contrariando a percepção generalizada de que cada novo Congresso é pior que o anterior.
Panorama político geral
O contexto político atual é marcado por uma crise de confiança nas instituições, com o Congresso Nacional frequentemente alvo de críticas por sua atuação fragmentada e por escândalos de corrupção. O fortalecimento do Parlamento, embora positivo do ponto de vista do equilíbrio de poderes, expõe a fragilidade de um sistema que ainda não conseguiu traduzir maior poder em maior responsabilidade e eficiência.
Dados recentes indicam que a taxa de renovação do Congresso tem sido baixa, e a influência de grupos de interesse e de financiamento privado nas campanhas eleitorais continua a ser um desafio para a democracia brasileira. A análise de Dora Kramer sugere que, sem uma participação ativa e consciente do eleitorado, a tendência de deterioração da qualidade parlamentar pode se manter, independentemente do crescimento institucional do Legislativo.
A eleição de 2026, portanto, é vista como um teste para a capacidade da sociedade de influenciar diretamente a composição do Parlamento, escolhendo representantes que estejam à altura dos desafios políticos e sociais do país. A inversão do equilíbrio de forças entre Executivo e Legislativo, nesse sentido, não é apenas uma mudança institucional, mas também uma oportunidade para que o eleitorado assuma o papel de protagonista na construção de um Congresso mais representativo e eficaz.
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