O criador de uma página de fofocas preso por extorsão em Goiás acumula 22 passagens policiais, segundo informações divulgadas pela Polícia Civil nesta quarta-feira (26). O suspeito, que operava uma rede de perfis falsos nas redes sociais, é acusado de inventar histórias e cobrar valores para apagar posts difamatórios, em um esquema que vitimou dezenas de pessoas no estado.
De acordo com a investigação, o homem criava contas em plataformas como Instagram e Facebook para divulgar falsas acusações contra cidadãos comuns, empresários e até figuras públicas. Após a publicação, ele entrava em contato com as vítimas exigindo pagamentos que variavam de R$ 500 a R$ 5 mil para remover o conteúdo. A Polícia Civil estima que o esquema tenha movimentado mais de R$ 200 mil nos últimos dois anos.
O caso ganhou repercussão após a prisão do suspeito, ocorrida na última segunda-feira (24), em uma operação conjunta da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos e da Polícia Civil de Goiás. As autoridades apreenderam celulares, computadores e documentos que comprovam a atuação do grupo. O suspeito, que já responde a processos por estelionato, ameaça e difamação, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça.
Panorama político e social
O caso expõe uma faceta preocupante do uso das redes sociais para práticas criminosas, especialmente em um contexto político marcado por polarização e desinformação. Especialistas apontam que a extorsão por meio de páginas de fofocas se tornou uma indústria paralela, alimentada pela falta de regulação e pela dificuldade de responsabilização de perfis anônimos. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) já alertou para o aumento de casos de extorsão digital, que muitas vezes miram jornalistas, ativistas e políticos.
Em Goiás, o esquema ganhou contornos ainda mais graves porque algumas das vítimas eram candidatos a cargos eletivos nas eleições municipais de 2024. A Polícia Civil investiga se o suspeito tinha ligações com grupos políticos locais, mas até o momento não há confirmação. O caso reforça a necessidade de políticas públicas de combate à desinformação e à criminalidade digital, tema que tem sido debatido no Congresso Nacional com a tramitação do Projeto de Lei 2630/2020, conhecido como PL das Fake News.
O suspeito, que não teve o nome divulgado pela polícia, permanece preso à disposição da Justiça. A Polícia Civil continua as investigações para identificar possíveis cúmplices e novas vítimas. O caso serve de alerta para a sociedade sobre os riscos de perfis falsos e a importância de denunciar crimes cibernéticos às autoridades competentes.
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