Uma criança de apenas 3 anos foi resgatada em Maceió com múltiplos hematomas pelo corpo, após denúncia anônima que levou a polícia até a residência onde vivia com a mãe e o padrasto. O menino, que não teve o nome divulgado, relatou aos agentes que sofria agressões físicas constantes. A ocorrência foi registrada como maus-tratos contra menor de 14 anos, e tanto a mãe quanto o padrasto foram presos em flagrante na última quarta-feira (26).
De acordo com o boletim de ocorrência, a equipe do 4º Batalhão da Polícia Militar de Alagoas foi acionada por vizinhos que ouviram gritos e choros vindos do imóvel, localizado no bairro do Jacintinho, região periférica da capital alagoana. Ao chegarem, os policiais encontraram a criança sozinha em um cômodo, com marcas visíveis de violência. O menino foi imediatamente encaminhado ao Hospital Geral do Estado (HGE) para exames e cuidados médicos, onde permanece sob proteção do Conselho Tutelar.
A prisão dos responsáveis ocorre em meio a um cenário preocupante em Alagoas: dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) indicam que, apenas em 2025, foram registrados mais de 1.200 casos de violência contra crianças e adolescentes no estado, sendo que cerca de 40% deles envolvem crianças menores de 5 anos. Especialistas apontam que a subnotificação ainda é um desafio, e que a falta de políticas públicas integradas de assistência social e saúde mental agrava o problema.
Contexto político e social
O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a eficácia dos mecanismos de proteção à infância no Brasil. Em Maceió, a prefeitura mantém o programa “Família Acolhedora”, mas críticos apontam que a iniciativa carece de capilaridade e de articulação com as forças de segurança. A Secretaria de Estado da Prevenção à Violência (Seprev) informou que irá instaurar uma sindicância para apurar se houve falha no acompanhamento da família pela rede de assistência social.
O governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), manifestou repúdio ao ocorrido e determinou que a Secretaria de Segurança Pública priorize a investigação. Em nota, o governo estadual afirmou que “não tolerará qualquer forma de violência contra crianças” e que “medidas de fortalecimento dos conselhos tutelares estão em andamento”. Já a prefeitura de Maceió, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social, declarou que a família não estava cadastrada no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), o que dificultou a atuação preventiva.
Organizações da sociedade civil, como o Fórum Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, cobram a implementação de um sistema de monitoramento de casos de violência doméstica com foco em crianças, além da ampliação do número de psicólogos e assistentes sociais nas escolas públicas. A presidente do Fórum, Marta Rocha, destacou que “a violência contra a criança é um problema estrutural, que exige ação coordenada entre os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo”.
A Polícia Civil de Alagoas investiga se os maus-tratos eram recorrentes e se há outras vítimas na residência. A mãe e o padrasto, cujos nomes não foram divulgados, foram encaminhados ao sistema prisional e aguardam audiência de custódia. A criança, após receber alta hospitalar, será encaminhada a um abrigo temporário, enquanto a Justiça decide sobre a destituição do poder familiar.
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