Criança de 9 anos sofreu acidente com mesmo grupo de rope jump que matou jovem em Limeira, revela polícia

Uma criança de 9 anos se acidentou com o mesmo grupo de rope jump que, meses depois, promoveu o salto que terminou com a morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, lançada sem cordas da Ponte do Esqueleto, entre Limeira (SP) e Cordeirópolis (SP). A informação foi revelada pela Polícia Civil ao concluir o segundo inquérito da tragédia.

A criança fez o salto com a equipe “Entre Cordas” em março de 2026, três meses antes do evento que matou Maria Eduarda. Segundo depoimento do pai à Polícia Civil, o filho dele teve a corda que o sustentava retirada do corpo enquanto o menino ainda estava em movimento pendular, o que provocou impacto com o solo e lesões leves.

“Após o salto, observou que seu filho realizou movimentos pendulares, tendo sido liberado da corda de forma antecipada por um dos integrantes que se encontrava na base, antes da completa estabilização. Em decorrência disso, o menor veio a raspar o solo, sofrendo escoriações nos joelhos. Segundo relatado, não houve, aparentemente, impacto grave na cabeça, embora o menor tenha relatado leve batida”, detalha a Polícia Civil em relatório final do inquérito.

O rope jump é uma modalidade que usa cordas estáticas, sem elasticidade, e após a queda faz um movimento de balanço, como um pêndulo. No bungee jump, modalidade mais conhecida, a corda elástica faz a pessoa cair e quicar para cima e para baixo repetidas vezes.

A jovem morreu no último dia 13 de junho após ser arremessada, a 40 metros de altura, sem o uso de cordas de segurança durante a prática do esporte radical. O caso gerou comoção e levanta questionamentos sobre a fiscalização de atividades radicais na região.

O pai do menino que se feriu em salto contou ainda que prestou serviços operacionais para a empresa investigada. O homem disse ainda que conheceu a equipe de atividades com cordas por meio do indiciado Luís Felipe, com quem mantinha contato anterior em serviços informais de segurança realizados aos finais de semana. O convite para fazer o salto ocorreu depois de dois anos de convivência.

O salto com a criança foi feito em dia comum, fora de evento organizado. O pai do menino foi convidado a prestar serviços eventuais para a empresa, na modalidade “freelance” junto à equipe, desempenhando função de apoio operacional. Segundo relatado, participou de aproximadamente quatro a cinco eventos, todos realizados na Ponte do Esqueleto. As atribuições do pai do menino eram, principalmente, o lançamento de corda auxiliar após o salto, auxílio na recuperação do equipamento, manuseio de câmera para filmagens dos participantes, entre outras funções.

O caso expõe fragilidades na segurança de atividades radicais e na supervisão de empresas que atuam sem regulamentação clara. A Polícia Civil segue investigando as circunstâncias da morte de Maria Eduarda e os possíveis vínculos entre os acidentes. A sociedade cobra respostas sobre a responsabilidade dos organizadores e a necessidade de medidas preventivas para evitar novas tragédias.

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