Crise diplomática com Argentina: Haddad defende ‘virar a página’ e retomar cordialidade entre Brasil e Argentina

O candidato ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) afirmou nesta segunda-feira (27) que o Brasil deve ‘virar a página’ da crise diplomática com a Argentina provocada pelas declarações do presidente Javier Milei durante visita ao país. Segundo Haddad, apesar da gravidade das ofensas feitas por Milei, é preciso preservar a relação histórica entre os dois países e manter o fortalecimento do Mercosul.

A declaração foi dada ao ser questionado sobre entrevista concedida por Milei a uma rádio argentina, na qual o presidente afirmou que não pretende pedir desculpas pelas falas feitas no Brasil e acusou o governo brasileiro de promover uma campanha contra a Argentina.

‘Eu penso que nós temos que virar a página. Esse tipo de deselegância, de um presidente vir ao Brasil para ofender a autoridade, não compactua com séculos de tradição de amizade entre os dois povos. Nós não temos problema entre nós. Muito pelo contrário, nós temos assuntos comuns, culturais, econômicos e sociais’, disse Haddad.

Durante participação na convenção nacional do PL, que oficializou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato à Presidência da República, Milei fez ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O argentino chamou Lula de ‘presidiário’ e Moraes, de ‘lixo careca’.

Ao comentar o episódio, Haddad afirmou que a atitude de Milei não condiz com a tradição de amizade entre Brasil e Argentina. O ex-ministro afirmou que a cordialidade entre os países será restabelecida e defendeu que as divergências ideológicas não prejudiquem a cooperação bilateral.

‘Nós vamos restabelecer a cordialidade que o presidente Milei colocou em xeque, nós vamos superar. Isso não vai nos impedir de continuar prosperando nas relações bilaterais com a Argentina. Nós temos o Mercosul, que está em excelente momento. O Mercosul fez um acordo histórico com a União Europeia, fez com Singapura e talvez agora faça com a China. Enfim, nós estamos num momento auspicioso do Mercosul. Nós não podemos fazer com que a ideologia do presidente Milei afete as nossas relações’, afirmou.

Questionado se o governo brasileiro esperava um pedido de desculpas do argentino, Haddad disse não acompanhar o caso em detalhes, mas defendeu a reação adotada pelo Brasil.

‘O que eu entendo é o seguinte: nós não precisamos aceitar esse tipo de provocação. Acho que o Brasil tem todo o direito de manifestar contrariedade com o comportamento impróprio de um chefe de Estado no território nacional. Nós temos que fazer isso, porque tem que dignificar o povo brasileiro. É uma questão de autoestima do povo brasileiro. Mas nós temos que’, concluiu.

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