Sob impacto do aumento do preço do QAV (querosene de aviação), a Azul cortou até o momento cerca de 5% de sua capacidade, disse à Folha o CEO da companhia aérea, John Rodgerson. A medida, segundo ele, abrange todos os tipos de voos: internacionais e domésticos, incluindo os regionais e os que operam em grandes aeroportos do país.
A decisão da Azul reflete o cenário de pressão nos custos operacionais do setor aéreo brasileiro, que enfrenta uma escalada nos preços dos combustíveis desde o início de 2026. O QAV, principal insumo das companhias aéreas, teve reajustes sucessivos, impactando diretamente as margens das empresas. A Petrobras, por sua vez, anunciou recentemente uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação a partir desta segunda-feira, mas o alívio ainda não foi suficiente para reverter os cortes já implementados.
Impacto nos voos e no mercado
O corte de 5% na capacidade da Azul representa uma redução significativa na oferta de assentos, afetando tanto rotas domésticas quanto internacionais. Voos regionais, que conectam cidades menores a grandes centros, também foram incluídos na medida, o que pode agravar a situação de comunidades dependentes do transporte aéreo. A companhia não detalhou quais rotas específicas foram mais afetadas, mas a decisão sinaliza uma estratégia de contenção de custos em meio à volatilidade do mercado de combustíveis.
O panorama político e econômico brasileiro adiciona complexidade ao cenário. A política de preços da Petrobras, que segue a paridade internacional, tem sido alvo de debates no Congresso e no governo federal. Enquanto isso, a Azul e outras aéreas buscam alternativas para mitigar os impactos, como a renegociação de contratos de fornecimento e a otimização de rotas. A redução de capacidade, no entanto, pode ter efeitos colaterais, como aumento de tarifas e menor conectividade em regiões menos atendidas.
John Rodgerson destacou que a medida é temporária e será reavaliada conforme a evolução dos preços do QAV. A Azul, que opera uma das maiores malhas aéreas do país, enfrenta o desafio de equilibrar a demanda por viagens com a sustentabilidade financeira. A situação reflete um dilema mais amplo do setor, que depende de insumos voláteis e de políticas públicas estáveis para garantir a continuidade dos serviços.
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