O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, afirmou nesta quarta-feira (8) que Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro não se falam desde as recentes trocas de acusações pelas redes sociais, e que é necessário cessar os conflitos internos para que a legenda defina um ‘rumo’ para as eleições de outubro. Em declaração à imprensa, Costa Neto destacou a importância de Michelle como liderança e pediu que as divergências sejam superadas em até 20 dias, prazo que antecede a convenção nacional do partido, marcada para 25 de julho. A convenção é etapa obrigatória do calendário da Justiça Eleitoral, na qual as legendas formalizam candidaturas e alianças.
A crise expõe fissuras no núcleo político do ex-presidente Jair Bolsonaro, que escolheu o filho Flávio como candidato à Presidência da República. Até o momento, a chapa majoritária não tem vice definido. Valdemar Costa Neto revelou que já defendeu o nome da senadora Tereza Cristina (PP-MS) para o posto, mas que ela teria outras ‘pretensões’ políticas. Questionado sobre Daniella Marques, ex-auxiliar do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e recém-filiada ao Republicanos, o presidente do PL foi enfático: ‘Daniella Marques é uma excelente pessoa, mas precisa ter voto. Tem que trazer alguém que tenha voto’. A declaração evidencia a preocupação do partido com o desempenho eleitoral da chapa, em um cenário de polarização acirrada.
Raízes do conflito familiar e político
No fim do mês passado, Michelle Bolsonaro publicou um depoimento nas redes sociais em que afirmou ter sido maltratada e humilhada por Flávio Bolsonaro. O senador respondeu com um pedido de desculpas público, negando a intenção de ofendê-la. Dias depois, a ex-primeira-dama compartilhou um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, sobre supostas festas promovidas por Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio reagiu novamente, dizendo que Michelle estava ‘completamente desinformada’ ao insinuar sua participação nos eventos. Em meio à escalada da crise, Michelle decidiu renunciar à presidência do PL Mulher, cargo que ocupava desde o início do ano. A saída foi acertada em reunião com a cúpula do partido, mas ainda não foi oficializada publicamente.
O episódio ocorre em um momento de reorganização das forças políticas de direita no Brasil, com o PL buscando consolidar alianças e evitar desgastes que possam comprometer a candidatura de Flávio Bolsonaro. A falta de diálogo entre Michelle e Flávio, ambos figuras centrais na base bolsonarista, levanta questionamentos sobre a capacidade do partido de manter a coesão interna diante de um eleitorado que valoriza a unidade familiar como símbolo de governança. Enquanto isso, outras legendas, como o PP e o Republicanos, observam de perto as movimentações, aguardando definições que podem influenciar o tabuleiro eleitoral de 2026.
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