A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro curtiu, nesta quinta-feira (23), o vídeo publicado pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), no qual ele convida apoiadores a “caminharem juntos na missão de defender o Brasil”. O gesto ocorre após quase um mês de um rompimento público, quando Michelle expôs ter sido “maltratada e humilhada” por Flávio, em uma crise que expôs rachas internos na família e no partido.
No vídeo, Flávio Bolsonaro afirma: “Michelle, renovo aqui o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil e honrar o nosso maior líder, que é Jair Messias Bolsonaro, que enfrenta um momento extremamente difícil que exige de todos nós, desprendimento, humildade, coragem e espírito de união para honrar o seu legado. Eu tenho a convicção que a gente compartilha do mesmo objetivo, trabalhar por um Brasil mais seguro, próspero e cheio de esperança. As portas estão abertas”. Até a última atualização deste texto, Michelle ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o vídeo.
A gravação foi publicada a poucos dias da convenção nacional partidária do PL, marcada para este sábado (25) em São Paulo. O presidente do partido, Valdemar Costa Neto, disse em entrevista ao Globo não esperar que a ex-primeira-dama participe do evento. Segundo ele, Michelle estava disposta a se conciliar com Flávio desde que ele fizesse “alguma coisa”, ou se manifestasse. O episódio ocorre em um momento de articulação para as eleições de 2026, em que o PL busca consolidar alianças e evitar fissuras internas que possam comprometer o desempenho eleitoral.
Há quase um mês, em 24 de junho, Michelle divulgou vídeos em suas redes sociais expondo uma briga com Flávio e afirmando que eles não se falavam desde o fim de 2025. Na ocasião, ela disse: “Voltando ao Flávio. Telefonei para ele, tentei algumas vezes, mas ele não atendeu. Algumas horas depois da postagem, ele retornou a ligação. Mas, sinceramente, para falar o que ele me falou, seria melhor se ele não tivesse ligado. Ele foi muito ríspido, me desrespeitou e me maltratou o telefone. E eu não tinha feito nada contra ele”. A discussão envolve a disputa pelo palanque do PL no Ceará, em que o partido tentou se aliar ao ex-governador Ciro Gomes (PSDB) — apoio criticado por Michelle.
Na época, Flávio Bolsonaro rebateu as acusações, citando o casamento de 16 anos e o fato de ser pai de duas filhas para afirmar que “nunca desrespeitei, maltratei ou humilhei uma mulher na minha vida. Jamais o faria com a esposa do meu próprio pai”. O senador afirmou que a família Bolsonaro “está passando por um momento difícil” e que a união é necessária para honrar o legado do ex-presidente Jair Bolsonaro. O episódio expõe as tensões internas no clã político, que busca se reorganizar para as eleições de 2026, em um cenário de disputas por espaços e alianças regionais.
O panorama político geral indica que a crise familiar pode ter implicações diretas na estratégia eleitoral do PL, que tenta equilibrar as ambições de seus pré-candidatos — como Flávio Bolsonaro, que disputa a Presidência, e outros nomes do partido — com a necessidade de manter a base bolsonarista coesa. A reconciliação entre Michelle e Flávio, ainda que incipiente, pode ser um sinal de que o grupo busca superar divergências para enfrentar o pleito de 2026 com maior unidade. A convenção do PL neste sábado será um termômetro para avaliar se o partido conseguirá conter as fissuras e apresentar uma frente unida aos eleitores.
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