A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a criticar a aproximação de aliados do Partido Liberal (PL) com o ex-governador Ciro Gomes e afirmou ser alvo de uma ofensiva articulada por um grupo ligado ao bolsonarismo, ampliando o atrito público com o senador Flávio Bolsonaro. Em declarações divulgadas nesta quarta-feira (26), Michelle disse sofrer ataques coordenados do exterior, sem especificar a origem ou os responsáveis, mas apontou que a movimentação visa desestabilizar sua atuação política e enfraquecer a base conservadora. A crise expõe uma nova fissura no núcleo duro do bolsonarismo, que já enfrenta desafios para manter a coesão às vésperas das eleições municipais de 2026.
De acordo com a ex-primeira-dama, os ataques seriam orquestrados por um grupo que atua dentro do próprio espectro político bolsonarista, mas com ramificações no exterior. Ela não detalhou as acusações, mas associou a ofensiva à sua oposição à aliança entre setores do PL e Ciro Gomes, ex-governador do Ceará e ex-ministro, que tem buscado aproximação com lideranças conservadoras. A declaração ocorre em meio a negociações nos bastidores para a formação de chapas em estados estratégicos, como São Paulo e Rio de Janeiro, onde o PL tenta ampliar sua capilaridade.
O atrito com Flávio Bolsonaro, senador e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ganhou contornos públicos após Michelle criticar abertamente a estratégia de alianças defendida pelo parlamentar. Enquanto Flávio tem sinalizado apoio a acordos com partidos de centro e centro-direita, Michelle defende uma linha mais radical, alinhada ao discurso de ruptura institucional. A divergência expõe uma disputa interna pelo controle do legado bolsonarista, com implicações diretas na sucessão presidencial de 2026.
O cenário reflete a fragmentação do campo conservador brasileiro, que, desde a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, busca se reorganizar. Enquanto parte da cúpula do PL, liderada pelo presidente nacional Valdemar Costa Neto, aposta em alianças pragmáticas para garantir vitórias regionais, setores mais ideológicos, como o de Michelle, resistem a qualquer aproximação com figuras consideradas “tradicionais” ou de esquerda, como Ciro Gomes. A crise interna ocorre em um momento de queda na popularidade do ex-presidente, que enfrenta investigações judiciais e restrições legais, como a inelegibilidade até 2030.
A situação também tem impacto nas relações internacionais do bolsonarismo. A menção a “ataques coordenados do exterior” ecoa discursos de perseguição política, comuns entre apoiadores do ex-presidente, e pode influenciar a narrativa de campanha em 2026. Enquanto isso, aliados de Flávio Bolsonaro minimizam o racha, afirmando que se trata de “diferenças táticas” dentro de um mesmo projeto. A reportagem do Republica do Povo buscou contato com a assessoria de Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
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