Crise no BRB: ex-presidente preso pela PF é chamado de ‘megalomaníaco’ e governadora aponta erro de Ibaneis na indicação

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), atribuiu ao ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) parte dos erros que levaram à crise no Banco de Brasília (BRB) e às transações malsucedidas com o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em entrevista ao GloboNews Mais, nesta sexta-feira (3), Celina classificou a si mesma como um ‘desafeto’ de Paulo Henrique Costa – que assumiu o BRB no começo do governo Ibaneis e só deixou o posto ao ser preso pela Polícia Federal em novembro de 2025, na operação Compliance Zero.

‘Olha só, eu acho que a gestão errou quando escolheu uma pessoa que realmente não tinha capacidade para comandar o BRB. [Erro] Do próprio Ibaneis’, declarou Celina. ‘Eu era desafeta do Paulo Henrique, achava que ele tinha uma mania de megalomaníaco, patrocinava corridas fora do Brasil, então… uma gestão muito longe daqui’, emendou.

Falhas no compliance e concentração de poder

Celina também disse ver falhas do setor de compliance do próprio BRB. ‘Nós temos, por exemplo, nove a 10 diretores [no BRB]. Eram nomeados quatro ou cinco, para ele [Costa] ter um controle maior ali das decisões, ficar com pessoas mais restritas nas decisões. Então eu tenho certeza que isso foi realmente um erro da escolha do nome e da falha do compliance também do banco’, afirmou Celina.

Celina Leão assumiu a vice-governadoria do DF em 2023, já no segundo mandato de Ibaneis. Ela se tornou governadora em abril deste ano – quando Ibaneis deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado e a cúpula anterior do BRB já tinha sido afastada. O governo do Distrito Federal, acionista majoritário do BRB, busca empréstimo para capitalizar a instituição.

Trocas no BRB e medidas de recuperação

Também na entrevista ao GloboNews Mais, Celina listou as medidas que tomou após assumir o governo – incluindo a troca de gestores que não tinham sido afastados na operação Compliance Zero. ‘Troquei todos os superintendentes do banco, todas as diretorias do banco, nós colocamos auditorias internacionais. Inclusive, essas auditorias descobriram vários crimes que foram denunciados pela própria imprensa, pela PGR […] conseguimos fazer um acordo com o Supremo pra recuperar o BRB numa missão muito difícil’, enumerou.

‘Até pelo fato de sermos mulheres, as pessoas acreditavam que a gente não daria conta de resolver situações graves como essa. Eu acho que problemas estão aí para serem resolvidos. A minha condição de gênero não me tira nada da capacidade de resolver um problema, assim como um homem’, emendou.

A operação Compliance Zero, da Polícia Federal, também realizou buscas contra o BRB e o PicPay, ampliando o escopo das investigações sobre irregularidades financeiras. A crise no banco público expõe fragilidades na governança corporativa e acende alerta sobre a influência política em instituições financeiras estatais, tema recorrente no cenário político nacional.

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