O senador Flávio Bolsonaro (PL) desembarca em Fortaleza nesta sexta-feira (10) em meio a uma crise interna do partido, que deve decidir apenas em convenção sobre candidaturas majoritárias e sobre a aliança com o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato a governador do Ceará. A visita ocorre em um momento de forte tensão entre alas do PL cearense, que divergem sobre o apoio a Ciro e a estratégia para as eleições estaduais de 2026.
A decisão sobre o apoio a Ciro Gomes, que busca o Palácio da Abolição pelo PSDB, foi adiada para a convenção partidária, prevista para ocorrer ainda neste mês. O impasse expõe as divisões internas do PL no estado, onde uma ala mais alinhada ao ex-presidente Jair Bolsonaro resiste a uma aliança com o ex-ministro, enquanto outra, liderada por figuras políticas locais, defende a união em torno de um nome de centro-direita para enfrentar a hegemonia do PT no Ceará.
Panorama político e impacto regional
A visita de Flávio Bolsonaro ocorre em um contexto de rearticulação das forças de direita no Nordeste, região onde o PL busca ampliar sua influência. O Ceará, governado pelo PT desde 2015, é visto como um dos principais alvos da oposição, que tenta explorar a insatisfação com a gestão estadual e a crise econômica local. A aliança com Ciro Gomes, que já foi aliado de Lula e hoje se apresenta como alternativa ao petismo, poderia fortalecer a chapa majoritária, mas enfrenta resistência de setores mais radicais do bolsonarismo.
O senador Flávio Bolsonaro, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado e um dos principais articuladores do PL no Nordeste, tenta costurar um acordo que evite uma ruptura pública. Em reuniões fechadas com lideranças partidárias e pré-candidatos a deputado estadual e federal, ele deve discutir os termos de uma eventual coligação e as garantias de espaço na chapa para nomes do PL. A convenção será o palco da definição final, mas a pressão aumenta à medida que os prazos eleitorais se aproximam.
Enquanto isso, o PSDB de Ciro Gomes aguarda a sinalização do PL para definir sua estratégia de alianças. O ex-ministro, que já foi governador do Ceará por duas vezes, busca ampliar o arco de apoios para além do seu partido, mas sem abrir mão da liderança da chapa. A indefinição no PL, no entanto, pode levar o PSDB a buscar outros parceiros, como o União Brasil ou o MDB, que também miram o eleitorado cearense.
O desfecho desse impasse terá impacto direto na corrida eleitoral de 2026 no Ceará, onde o PT já lançou a pré-candidatura do ex-prefeito de Fortaleza José Sarto (PDT) e o PSB aposta no nome do vice-governador Jade Romero. A definição do PL, que hoje tem a maior bancada na Câmara dos Deputados, pode reconfigurar o tabuleiro político e definir o tom da disputa no estado.
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