Cuba debate reformas econômicas e sociais em meio ao endurecimento do bloqueio dos EUA

Diante do endurecimento do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos (EUA), o governo de Cuba debate um amplo pacote de reformas com objetivo de ativar a economia da ilha e transformar o atual modelo econômico e social. As mudanças em debate preveem alterações nas políticas fiscal, cambial, de comércio exterior, nos subsídios, além de uma “reestruturação” do Estado cubano, com descentralização política e liberalização econômica. Tudo isso com a promessa de manter o objetivo de promover justiça social e combater as desigualdades sociais.

O Birô Político do Partido Comunista de Cuba convocou, para esta quarta-feira (17), reunião extraordinária do Comitê Central do partido para avaliar as propostas de transformação econômicas e sociais anunciadas, na semana passada, pelo presidente Miguel Díaz-Canel. A proposta ainda precisa passar por aprovação da Assembleia Nacional de Cuba.

Reformas em debate: planificação central versus incentivos de mercado

Citando os exemplos da China e do Vietnã, países que sustentam desenvolver um “socialismo de mercado”, o presidente cubano Díaz-Canel afirmou que as reformas buscam resolver “velhas contradições” entre a planificação central da economia, característica do modelo cubano, e os incentivos que o mercado precisaria ter para estimular a produção. “O que tem que se dedicar à planificação central do país? O que, estrategicamente, tem que atender? E, com todo o resto, se destrava e se dão faculdades a outros níveis para que eles exerçam uma atividade própria”, comentou Díaz-Canel à imprensa, em Havana.

Ao mesmo tempo, o presidente cubano disse que a reforma prevista mantém o compromisso de distribuir riqueza com justiça social. “Mas, se não temos riqueza, é muito difícil poder avançar no programa social e atender as necessidades da população”, completou, destacando o impacto do bloqueio econômico dos EUA sobre a economia cubana.

Panorama político e impacto regional

O debate ocorre em um contexto de novas sanções dos EUA contra Cuba, que miram empresas de mineração e o próprio presidente Díaz-Canel. Em resposta, o governo cubano rebateu as medidas, afirmando que as empresas cubanas foram construídas contra o bloqueio. A reunião do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba é vista como um passo crucial para definir o futuro econômico da ilha, em meio a pressões externas e desafios internos. A proposta, se aprovada, pode representar a maior transformação econômica em Cuba desde o início do regime socialista, com potencial para influenciar outros países da região que enfrentam dilemas semelhantes entre planificação central e abertura de mercado.

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