O que era uma aliança política de quase duas décadas no Maranhão se transformou em uma disputa aberta que agora chega ao Supremo Tribunal Federal (STF). De um lado, o governador Carlos Brandão (MDB); do outro, o ministro do STF Flávio Dino. Os dois, que foram aliados e dividiram chapas eleitorais, agora protagonizam embates que envolvem investigações da Polícia Federal, afastamentos no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MA) e questionamentos sobre competência jurisdicional.
O capítulo mais recente dessa disputa foi um pedido da defesa de Carlos Brandão ao STF para suspender uma investigação conduzida sob supervisão do ministro Flávio Dino. O inquérito, aberto pela Polícia Federal em agosto de 2025, apura possíveis irregularidades nas nomeações para o TCE-MA, incluindo a indicação de Flávio Costa para o tribunal. A defesa de Brandão argumenta que, por envolver um governador, o caso deveria tramitar no Superior Tribunal de Justiça (STJ), e não no STF, e pede a suspensão do procedimento ou o envio ao órgão competente.
O movimento ocorre um dia depois de Dino determinar o afastamento, por 180 dias, de Daniel Brandão, presidente do TCE-MA e sobrinho do governador, em outra frente investigativa. A decisão de Dino, que também envolve o afastamento de outros membros do tribunal, acirrou ainda mais os ânimos entre os dois grupos políticos.
Amizade política e início do desgaste
A relação entre Brandão e Dino começou antes da eleição de Dino para deputado federal, em 2006. Brandão relatou que ajudou a viabilizar a candidatura do então juiz federal na região de Caxias, nos Cocais. A parceria se consolidou quando Brandão foi eleito vice-governador nas chapas de Dino em 2014 e 2018. Em abril de 2022, Dino deixou o governo para disputar o Senado, e Brandão assumiu o Palácio dos Leões. Na eleição daquele ano, Brandão foi eleito governador no primeiro turno, com Felipe Camarão como vice.
Os primeiros sinais públicos de desgaste surgiram na montagem do novo governo e na disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Maranhão (Alema). Othelino Neto, então presidente da Casa e aliado de Dino, desistiu de tentar permanecer no comando do Legislativo. Iracema Vale, apoiada por Brandão, foi eleita presidente em fevereiro de 2023. Othelino, posteriormente, passou a integrar o governo como secretário, mas o episódio marcou o início do distanciamento.
O embate atual não se limita ao plano jurídico. Ele reflete uma disputa mais ampla pelo controle político do Maranhão, envolvendo o TCE-MA, a Alema e o próprio governo estadual. As investigações e os afastamentos no tribunal de contas são vistos por analistas como parte de uma estratégia de Dino para enfraquecer o grupo de Brandão, enquanto o governador busca manter sua base e sua influência no estado.
Enquanto isso, a população maranhense acompanha os desdobramentos, que prometem movimentar o cenário político local nos próximos meses. A decisão do STF sobre o pedido de Brandão será crucial para definir os rumos dessa disputa, que já é considerada uma das mais acirradas da história recente do estado.
Fonte: ver noticia original

