O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias, em decisão que também manda apurar possível propaganda eleitoral antecipada. A medida, tomada no âmbito de investigações sobre supostos atos antidemocráticos, gerou reações imediatas do senador, que classificou a decisão como interferência eleitoral e afirmou que ficará impedido de se reunir com o pai até depois do primeiro turno das eleições de 2026. O caso acirra o clima político e reacende o debate sobre os limites da atuação do Judiciário em processos que envolvem pré-candidatos.
Em nota divulgada nesta quarta-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão de Moraes visa prejudicar sua pré-candidatura ao governo do Rio de Janeiro. “Ficou claro que o objetivo é me impedir de dialogar com meu pai, que é minha principal referência política, justamente no período que antecede as eleições”, declarou o senador. A determinação do STF também intima o ex-presidente Jair Bolsonaro a se manifestar sobre a ciência de uma carta divulgada por apoiadores, que, segundo a Corte, pode conter elementos de propaganda antecipada. A Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acionada para analisar o caso.
Impacto político e reações
A decisão de Moraes ocorre em um momento de intensa movimentação política, com as pré-candidaturas para 2026 já em curso. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, avaliou que a proibição pode, paradoxalmente, impulsionar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. “A perseguição política sempre fortalece quem é alvo. O senador Flávio tem potencial para crescer com essa medida”, afirmou Costa Neto em entrevista. A oposição, por sua vez, criticou a decisão, classificando-a como um ato de “ativismo judicial” que interfere no processo eleitoral. Lideranças do PT e de partidos aliados, no entanto, defenderam a medida, argumentando que o STF age para garantir a lisura das investigações.
O caso também reacende o debate sobre a relação entre o STF e a PGR, que já divergiram em decisões recentes sobre emendas parlamentares. Em outra frente, o Exército entregou à Polícia Federal seis armas de Jair Bolsonaro, mas negou a posse de dois registros listados pela defesa do ex-presidente, ampliando a complexidade do cenário jurídico que envolve a família Bolsonaro. A decisão de Moraes sobre as visitas de Flávio é vista por analistas como mais um capítulo na tensão entre os Poderes, que pode influenciar o resultado das urnas em 2026.
Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro já articula sua defesa e promete recorrer da decisão. A expectativa é que o caso seja levado ao plenário do STF, onde os ministros podem revisar a medida. O desfecho desse embate promete movimentar o cenário político nos próximos meses, com reflexos diretos na corrida eleitoral.
Fonte: ver noticia original

