Decisão dos EUA de classificar PCC e CV como terroristas pode impactar PIX e instituições financeiras brasileiras

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (1º) que terá reuniões com autoridades dos Estados Unidos nos próximos dias para discutir a decisão do governo norte-americano de classificar as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Em entrevista à rádio CBN, Durigan destacou que a medida pode gerar sanções contra instituições financeiras brasileiras e, em um cenário extremo, até afetar a operação do PIX, considerado o maior símbolo de soberania financeira do Brasil.

Segundo o ministro, o governo trabalha para evitar impactos econômicos e proteger o sistema de pagamentos. “Nós vamos fazer de tudo para proteger os brasileiros nesse caso”, afirmou Durigan. “O PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil. Nós não podemos ficar presos ao risco de uma intervenção ou de uma subserviência que tire a gente do caminho da inovação e de gerar infraestrutura de pagamento boa para as nossas empresas e famílias”, completou.

A classificação das facções como organizações terroristas gera insegurança para bancos e outras instituições financeiras, que já começaram a revisar regras internas de controle e monitoramento para reduzir o risco de sanções por parte das autoridades norte-americanas. Durigan alertou que, se os Estados Unidos entenderem que uma instituição financeira brasileira foi usada para movimentar recursos ligados às facções, ela poderá ser alvo de punições do Tesouro americano.

Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que a medida não deve provocar efeitos imediatos sobre o comércio entre Brasil e Estados Unidos nem criar barreiras comerciais diretas. Ainda assim, a decisão aumenta a pressão sobre bancos e empresas para reforçar mecanismos de identificação da origem dos recursos e de prevenção à lavagem de dinheiro. A classificação eleva o risco jurídico das operações, já que qualquer apoio direto ou indireto às organizações pode ser enquadrado como crime pela legislação dos EUA.

“Basta você ter uma alegação dizendo que um determinado banco brasileiro tem contas do PCC. A autoridade norte-americana pode dizer que esse banco está sancionado pelo Tesouro dos Estados Unidos e não pode operar com o PIX porque o sistema estaria sendo usado para movimentar dinheiro de facção criminosa”, explicou Durigan. O ministro também relacionou o tema à investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil, que questiona o funcionamento do PIX.

A decisão americana ocorre em um contexto de crescente pressão internacional contra o crime organizado transnacional. O governo brasileiro, por meio do Ministério da Fazenda e do Ministério da Justiça, busca coordenar ações diplomáticas e regulatórias para mitigar os riscos. A reunião com autoridades dos EUA será crucial para definir os próximos passos e evitar que o sistema financeiro nacional seja prejudicado por sanções indiretas.

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