Defesa de Bolsonaro admite que segurança inutilizou arma do ex-presidente para evitar riscos com sua saúde mental

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro reconheceu nesta quarta-feira (17) que o político pediu ajuda a um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para consertar uma arma de fogo registrada em seu nome, após a própria equipe de segurança ter deixado a pistola inoperante para evitar riscos, frente às condições de saúde mental do ex-presidente. O documento foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), em resposta a um pedido de esclarecimentos do relator da pena, ministro Alexandre de Moraes. A arma – uma pistola Glock 9mm – foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar em Brasília na última segunda-feira (15).

No documento, os advogados de Bolsonaro afirmam que “as medicações psiquiátricas que vinham sendo ministradas ao Peticionário [Jair Bolsonaro], capazes de afetar sua cognição — e que, inclusive, foram determinantes no episódio do rompimento da tornozeleira eletrônica —, levaram sua equipe de segurança, sem seu conhecimento prévio, a retirar o percussor da arma, tornando-a inoperante.” Ainda segundo a defesa, Bolsonaro manipulou a arma e constatou que “o mecanismo não estava funcionando regularmente”, o que o levou a pedir que um dos militares que faz sua segurança pessoal levasse a pistola para o conserto.

A arma foi apreendida em uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal, na última segunda-feira (15). Uma consulta ao sistema do Exército confirmou o registro no nome do ex-presidente. Apesar de ter documentação regular, a pistola foi recolhida pela Polícia Civil porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não estava no veículo. O caso é investigado pela Polícia Civil do DF. O carro era dirigido pelo militar Estácio Leite da Silva Filho, vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e cedido à Casa Civil para atuar na segurança de Bolsonaro. O militar prestou depoimento e foi liberado. Ele afirmou à Polícia Civil que a arma estava sendo transportada porque precisava passar por reparos, e seria devolvida em seguida ao ex-presidente.

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o fim de março, cumprindo uma pena de 27 anos e 3 meses de prisão. Desde o dia 24 de março deste ano, ele está sob prisão domiciliar humanitária, autorizada por Moraes por um prazo inicial de 90 dias, para que o ex-presidente se recupere de uma broncopneumonia. O ministro Alexandre de Moraes deu 24 horas para Bolsonaro esclarecer a apreensão da arma, e a defesa apresentou o documento nesta quarta-feira. O caso ganha contornos de crise política, com a oposição questionando a legalidade da prisão domiciliar e a atuação do GSI, enquanto o governo defende a transparência das investigações. A apreensão de uma arma registrada em nome de um ex-presidente, em meio a um quadro de saúde mental debilitado, reacende o debate sobre o acesso a armas de fogo e a segurança de figuras públicas no Brasil.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *