A defesa de Jair Bolsonaro comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (21) que vai retomar o agendamento de visitas “gerais” ao ex-presidente, que está em prisão domiciliar por tentativa de golpe de Estado. A decisão de Alexandre de Moraes, que suspendeu esse tipo de visita por 30 dias em 17 de julho, expirou na semana passada, e agora os advogados informaram que voltarão a agendar encontros nos moldes anteriormente fixados, respeitando as demais medidas cautelares ainda em vigor.
No comunicado enviado ao STF, os advogados afirmaram que “transcorrido o referido prazo, cumpre informar, para ciência e registro, que serão retomados os agendamentos de visitas nos moldes anteriormente fixados, mediante comunicação e agendamento diretamente junto ao Núcleo de Custódia da Polícia Militar – NCPM, observadas as condições já estabelecidas e as demais medidas cautelares ainda vigentes”. As visitas permanentes das equipes médica e fisioterapêutica, além das dos advogados, já estavam liberadas durante todo o período.
No entanto, seguem em vigor outras decisões de Moraes que proíbem o ex-presidente de receber visitas com finalidade “político-eleitoral” até o final das Eleições 2026. Entre elas, está a proibição de encontros com o filho Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, e a divulgação de manifestos com teor eleitoral. A restrição foi imposta após Flávio divulgar um documento intitulado “Carta aos brasileiros”, escrito pelo pai, durante uma transmissão ao vivo em redes sociais no dia 11 de julho. Moraes considerou que a leitura desrespeitou a decisão que proíbe o ex-presidente de utilizar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros” e que a divulgação do vídeo caracterizou desvio de finalidade do direito de visita.
Panorama jurídico e político
A defesa de Bolsonaro já recorreu da decisão que proibiu visitas político-eleitorais, classificando a restrição como “genérica” e argumentando que foi criada uma limitação sem respaldo constitucional ou legal. Além disso, Moraes negou pedido da defesa para uma visita do presidente da Argentina, Javier Milei, ao ex-presidente. O encontro ocorreria em 25 de julho, data em que ocorreu a convenção nacional do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República.
O cenário reflete a tensão entre os poderes e a judicialização de atos políticos em ano eleitoral. Enquanto a defesa busca ampliar o direito de visitas, o STF mantém medidas cautelares rigorosas para evitar que o ex-presidente influencie o processo eleitoral. A decisão de Moraes, que também proibiu Bolsonaro de usar redes sociais, é vista por analistas como uma forma de garantir a lisura das eleições de 2026, mas tem sido criticada por setores da oposição, que a consideram excessiva. Com a retomada das visitas gerais, o debate sobre os limites da prisão domiciliar e os direitos do ex-presidente deve continuar em destaque nos próximos meses.
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