Delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas reassume cargo após liminar em meio a investigação da PF sobre fraudes em concursos

O delegado Gustavo Xavier voltou a exercer a função de delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas após conseguir uma liminar favorável em habeas corpus, segundo informou o Ministério Público Federal na Paraíba (MPF/PB) ao g1. A decisão foi concedida antes do fim do prazo de afastamento cautelar, que havia sido imposto em março durante investigação da Polícia Federal sobre suspeitas de fraude em concursos públicos. Atos assinados por Xavier em 13 de agosto voltaram a aparecer em publicações do Diário Oficial de Alagoas com a identificação de delegado-geral da Polícia Civil, e o Sindicato dos Policiais Civis de Alagoas (Sindpol) já havia informado em 5 de agosto que ele tinha reassumido a Delegacia-Geral.

O afastamento de Xavier ocorreu em março, quando a PF abriu investigação sobre um esquema conhecido como “Máfia dos Concursos”, sediado em Patos, no Sertão da Paraíba. A medida tinha como objetivo evitar possíveis interferências na apuração e foi prorrogada por mais 60 dias em junho. Durante o afastamento, o delegado Thales Silva Araújo ficou à frente da Delegacia-Geral. Antes do fim do novo prazo, Xavier conseguiu a liminar favorável e retornou ao cargo. Segundo o MPF/PB, ele permanece investigado.

Investigação e suspeitas

Segundo decisão da Justiça Federal, Gustavo Xavier é suspeito de pressionar integrantes da família apontada como responsável pelo esquema para obter vantagens ilícitas e favorecer familiares em concursos públicos. A investigação se baseia, entre outros elementos, em depoimentos de colaboração premiada e interceptações telefônicas que apontariam a atuação do delegado no esquema. As suspeitas continuam sob investigação e, segundo o MPF/PB, o retorno de Xavier ao cargo não encerrou a apuração.

O esquema da ‘Máfia dos Concursos’

A Polícia Federal investiga um esquema de fraudes em concursos públicos liderado por uma família de Patos. Segundo a investigação, o grupo cobrava até R$ 500 mil por vaga. Para burlar os sistemas de segurança das bancas, os investigados usavam recursos como dublês, pontos eletrônicos e comunicação em tempo real durante as provas. Os valores cobrados variavam conforme o cargo e o nível de complexidade da fraude.

O g1 questionou a Polícia Civil e o Governo de Alagoas para saber em que data Xavier reassumiu oficialmente o cargo e se houve algum ato administrativo formalizando o retorno, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. O g1 também entrou em contato com o delegado-geral, mas não obteve retorno.

O caso ganha contornos de crise institucional em Alagoas, uma vez que a cúpula da Polícia Civil já foi abalada por escândalos anteriores, como a operação que atingiu o delegado-geral anterior e a fraude em concursos que envolveu figuras políticas de destaque. A situação reforça a necessidade de transparência e rigor nas investigações para restaurar a confiança da população nas instituições públicas.

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