Mesmo sob questionamentos e denúncias, o ex-prefeito de Rio Largo, Gilberto Gonçalves, surge como a principal aposta do MDB para a Câmara Federal nas eleições de 2026. A informação foi divulgada pelo portal Frances News, que destaca o rompimento político de Gonçalves com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e sua migração para o grupo liderado pelos Calheiros, em Alagoas. A movimentação ocorre em um cenário de intensa rearticulação partidária, onde alianças são redefinidas e nomes polêmicos ganham espaço nas chapas proporcionais.
Gilberto Gonçalves, que governou Rio Largo entre 2017 e 2020, enfrenta na Justiça ações que questionam sua gestão, incluindo denúncias de irregularidades administrativas e suspeitas de desvio de recursos públicos. Apesar disso, o MDB alagoano enxerga no ex-prefeito um capital político capaz de atrair votos na região metropolitana de Maceió e no interior do estado. A legenda, que busca ampliar sua bancada na Câmara, aposta na capilaridade de Gonçalves e na força do grupo Calheiros, que historicamente domina o cenário político local.
O rompimento com Arthur Lira, um dos políticos mais influentes do país, marca uma virada na trajetória de Gonçalves. Lira, que comanda o PP em Alagoas e é aliado do governo federal, vinha sendo o principal fiador do ex-prefeito. No entanto, divergências internas e a aproximação de Gonçalves com o senador Renan Calheiros (MDB-AL) e seu filho, o governador Paulo Dantas (MDB), selaram a nova aliança. A movimentação reflete a fragmentação das bases de Lira no estado e a ascensão do MDB como força opositora ao atual presidente da Câmara.
O panorama político em Alagoas para 2026 é marcado por disputas acirradas. O grupo Calheiros, que já controla o governo estadual e uma vaga no Senado, busca consolidar uma chapa forte para a Câmara Federal. A inclusão de Gilberto Gonçalves, mesmo sob denúncias, é vista como uma estratégia de ocupação de espaço, especialmente em um contexto onde a Justiça Eleitoral e o STF têm intensificado o escrutínio sobre candidaturas com ficha suja. Caso as denúncias avancem, Gonçalves pode ter seu registro de candidatura impugnado, o que colocaria em xeque os planos do MDB.
Fontes do Frances News indicam que a decisão de lançar Gonçalves foi tomada em reuniões fechadas da cúpula do MDB alagoano, com aval de Renan Calheiros. O partido argumenta que o ex-prefeito tem direito à presunção de inocência e que suas realizações administrativas, como obras de infraestrutura e programas sociais em Rio Largo, falam por si. Críticos, no entanto, apontam que a aliança com um político sob suspeita pode manchar a imagem do grupo e abrir flanco para ataques da oposição, especialmente do PP de Arthur Lira.
O cenário nacional também influencia a aposta do MDB. Com a polarização entre o governo Lula e a oposição bolsonarista, partidos de centro como o MDB buscam se posicionar como alternativa viável, mas enfrentam o desafio de conciliar alianças regionais com a necessidade de renovação ética. A candidatura de Gilberto Gonçalves, portanto, não é apenas um movimento local, mas um teste para a capacidade do MDB de equilibrar pragmatismo político e credibilidade pública.
Em resumo, a aposta do MDB em Gilberto Gonçalves para a Câmara Federal em 2026 revela as complexas engrenagens da política alagoana, onde denúncias e questionamentos judiciais nem sempre impedem a ascensão de nomes com forte base eleitoral. Resta saber se a Justiça Eleitoral e o eleitorado alagoano darão aval a essa estratégia, ou se o passado de Gonçalves será um obstáculo intransponível.
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