Discord responde à ANPD e promete ambiente digital seguro após caso de adolescente

A plataforma Discord enviou à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), na noite desta sexta-feira (14), os esclarecimentos demandados pela agência após a determinação de suspensão das transmissões ao vivo da plataforma no Brasil. No documento, o aplicativo afirma que atua continuamente para que o ambiente digital seja seguro e saudável, rechaçando qualquer prática de violência, automutilação ou incitação a atos lesivos.

Entre os argumentos apresentados à agência, o Discord alega que a criptografia impediu o bloqueio de conteúdo, e diz que análises técnicas apontam que o “ato final de suicídio não ocorreu na plataforma”, sobre o caso da adolescente de 13 anos que teria sido induzida a tirar a própria vida durante uma transmissão ao vivo. A empresa também afirma que agiu rapidamente após ser comunicada pela polícia, derrubando a live em 25 minutos.

Contexto da suspensão e resposta da empresa

Na última quarta-feira (12), a ANPD determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord em território brasileiro. A decisão não suspende a plataforma como um todo, mas apenas a ferramenta de ‘lives’. A empresa tinha até essa sexta-feira (14) para cumprir a determinação e outros 10 dias para esclarecer quais são os mecanismos de proteção de crianças e adolescentes adotados no aplicativo.

No documento enviado à agência, os advogados da empresa citaram mecanismos de controle, como verificação de idade, com restrições padrão para contas de adolescentes quando não há confirmação conclusiva, e a ferramenta “Central da Família”, que permite aos responsáveis monitorar servidores, lista de amigos, tempo de uso, além de impor restrições a transações financeiras e interações com desconhecidos.

O Discord também justificou a demora no bloqueio das imagens ao citar a criptografia das chamadas de voz e vídeo, que impede o monitoramento direto do conteúdo ao vivo. A empresa reforçou que as transmissões que motivaram a medida ocorreram em um grupo privado e que a ação da polícia foi essencial para a derrubada.

Panorama político e regulatório

O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a regulação de plataformas digitais no Brasil. A ANPD, vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, tem entre suas atribuições zelar pela proteção de dados pessoais e pela segurança de crianças e adolescentes no ambiente online. A suspensão das lives do Discord é uma das medidas mais duras já tomadas pela agência, que agora aguarda os esclarecimentos adicionais da empresa para decidir sobre a manutenção ou revogação da medida.

Especialistas apontam que o caso evidencia a necessidade de maior transparência e responsabilização das plataformas digitais, especialmente em relação à moderação de conteúdo e à proteção de usuários vulneráveis. A resposta do Discord à ANPD será analisada nos próximos dias, e a empresa pode enfrentar novas sanções caso não comprove a eficácia de suas políticas de segurança.

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