O pré-candidato ao governo de Alagoas Rodrigo Cunha acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na segunda-feira (27) para tentar anular a destituição do comando do Podemos no estado. A ação, um mandado de segurança com pedido de liminar contra a presidente nacional do partido, Renata Abreu, está sob relatoria do ministro Dias Toffoli e pede a suspensão imediata da dissolução do diretório estadual presidido por Cunha e da nomeação da atual comissão provisória, comandada por Mosart da Silva Amaral.
Segundo a petição, o diretório presidido por Cunha tinha vigência prevista entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2026. A direção nacional do Podemos, no entanto, teria determinado a destituição da composição com efeitos a partir de 12 de maio. Dois dias depois, em 14 de maio, a nova comissão provisória foi registrada no sistema da Justiça Eleitoral.
Cunha sustenta que a substituição foi realizada de maneira “unilateral e sumária”, sem notificação prévia, abertura de procedimento interno ou oportunidade para que ele apresentasse defesa. “O impetrante somente tomou conhecimento da destituição por meio de consulta ao próprio sistema da Justiça Eleitoral”, afirma a defesa no documento. De acordo com a ação, o prefeito não recebeu comunicação, notificação, ofício ou qualquer outro expediente do Diretório Nacional do Podemos sobre a mudança.
Impacto nas eleições de 2026
Embora a destituição tenha ocorrido em maio, a defesa argumenta que os efeitos da troca atingem um momento decisivo para as Eleições Gerais de 2026. A ação foi apresentada durante o período de convenções partidárias, que termina em 5 de agosto. Segundo a petição, a alteração no comando estadual pode afetar decisões relacionadas às convenções, coligações ou federações e à apresentação do Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários (DRAP), documento necessário para o registro das candidaturas lançadas pela legenda. O prazo para que partidos e federações apresentem os pedidos de registro de candidatura termina em 15 de agosto.
A defesa também levanta a hipótese de motivação político-eleitoral para a mudança. Como argumento, reproduz uma reportagem local segundo a qual a chegada de Mosart Amaral ao comando do Podemos fortaleceria o grupo político do ministro Renan Filho em Alagoas. Mosart Amaral é secretário estadual de Transporte e Desenvolvimento Urbano. A petição, no entanto, não apresenta uma manifestação da direção nacional do Podemos que confirme a motivação política.
O cenário político em Alagoas para 2026 é marcado por intensa movimentação. Enquanto Rodrigo Cunha busca consolidar sua pré-candidatura ao governo, o grupo liderado por Renan Filho amplia vantagem nas pesquisas, como aponta levantamento recente do instituto Vox Brasil. A disputa pelo controle do Podemos no estado reflete as tensões entre as principais forças políticas locais, que se articulam para as convenções partidárias e o registro de candidaturas.
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