Dívida de R$ 14 mil por pensão alimentícia leva influenciador Gato Preto à prisão em Ribeirão Preto

O influenciador Samuel Sant’Anna da Costa, mais conhecido como Gato Preto, foi preso na madrugada de domingo (12) em Ribeirão Preto (SP) por atraso no pagamento de pensão alimentícia. A dívida, atualizada em março deste ano, ultrapassa R$ 14.283,15, conforme documento da 2ª Vara da Família e Sucessões de São José dos Campos (SP) ao qual o g1 teve acesso. O influenciador estava foragido da Justiça desde abril, quando foi expedida a ordem de prisão por 30 dias.

A prisão ocorreu durante uma abordagem da Polícia Militar para apurar um suposto desentendimento de casal na saída de uma casa noturna, no bairro Alto da Boa Vista, Zona Sul da cidade. De acordo com o boletim de ocorrência, ao chegar ao local, os policiais encontraram Gato Preto e uma empresária, que não relataram qualquer problema. Durante a checagem de documentos, foi identificado o mandado de prisão em aberto. O influenciador foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde a Polícia Civil registrou a ocorrência.

Após audiência de custódia, a prisão foi mantida pela Justiça. Na decisão, o juiz responsável destacou que Gato Preto só será solto após o pagamento integral da dívida, que soma parcelas vencidas. Em nota, o advogado Wesley Felipe Rodrigues informou que a defesa adota as providências cabíveis para a regularização dos débitos.

Panorama judicial e político

O caso de Gato Preto insere-se em um contexto mais amplo de inadimplência alimentar no Brasil, que afeta milhares de famílias e sobrecarrega o sistema judiciário. A prisão por pensão alimentícia, prevista no Código de Processo Civil, é uma medida extrema, mas recorrente, para garantir o sustento de crianças e adolescentes. Especialistas apontam que a falta de pagamento reflete desigualdades sociais e a fragilidade de mecanismos de cobrança, além de expor a vulnerabilidade de mães e filhos que dependem desses recursos.

Paralelamente, Gato Preto enfrenta outro processo judicial de grande repercussão. Em maio deste ano, a Justiça de São Paulo o tornou réu por duas tentativas de homicídio por dolo eventual, após um acidente de trânsito com seu Porsche em 2025, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, Zona Oeste da capital. Na ocasião, ele avançou o sinal vermelho em alta velocidade, sob efeito de álcool, ecstasy e maconha, segundo laudos do Ministério Público (MP), e colidiu com um Hyundai onde estavam pai e filho. Apesar da gravidade do impacto, ninguém morreu. A Justiça determinou a suspensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) de Gato Preto, que está proibido de dirigir qualquer veículo e responde ao processo em liberdade.

O caso levanta debates sobre a impunidade de influenciadores digitais e a aplicação da lei em situações de alto poder aquisitivo. Enquanto a dívida de pensão alimentícia é de R$ 14.283,15, o veículo envolvido no acidente é avaliado em cerca de R$ 1 milhão, evidenciando um contraste que alimenta críticas sobre a seletividade do sistema de justiça. A prisão de Gato Preto ocorre em meio a um cenário político de discussões sobre reformas no cumprimento de penas e na execução de alimentos, com propostas de endurecimento das regras para devedores contumazes.

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