Dívida pública federal bate R$ 9,29 trilhões e Tesouro amplia títulos atrelados à Selic

A dívida pública federal alcançou R$ 9,29 trilhões, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional. O aumento veio acompanhado de uma mudança na estratégia do governo, que ampliou a emissão de títulos atrelados à Selic, sinalizando preocupação com o cenário econômico instável.

O Tesouro destacou a persistência da volatilidade no cenário local e internacional, incluindo incertezas geopolíticas e seus potenciais impactos sobre as condições financeiras globais. A decisão de apostar em papéis indexados à taxa básica de juros é vista como uma forma de reduzir riscos de curto prazo, mas também eleva a sensibilidade da dívida às decisões do Banco Central.

O movimento ocorre em meio a um contexto de alerta global: a dívida pública dos Estados Unidos estourou a marca de US$ 40 trilhões, acendendo o sinal de atenção em todo o mundo. No Brasil, o crescimento do endividamento já vinha sendo observado — em junho, o estoque havia atingido R$ 9,26 trilhões, maior patamar do ano.

Enquanto isso, o Congresso aprova pautas que ampliam gastos, como o pacote de R$ 2 trilhões em pautas-bomba, desafiando o governo em ano eleitoral. A combinação de juros altos, pressão fiscal e incerteza externa deve manter o tema da dívida no centro do debate econômico nos próximos meses.

Especialistas esperam que o Tesouro continue ajustando sua estratégia de emissão para alongar o perfil da dívida, mas a janela para isso depende de uma queda consistente da Selic — o que, no cenário atual, parece cada vez mais distante.

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