O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta sexta-feira (26) que, se não foi um presidente popular durante seu mandato, espera que o documentário ‘963 Dias’, lançado pelo diretor Bruno Barreto, o transforme em ‘um ex-presidente popularíssimo’. Em declaração ao seu estilo, ele classificou a produção como ‘um filme extraordinário’. A obra, que retrata os 963 dias de seu governo, não conta com a participação de petistas, o que gerou controvérsia sobre a narrativa apresentada.
O documentário, que estreia em meio a um cenário político polarizado, busca reconstruir a imagem de Temer, que enfrentou baixos índices de aprovação durante sua gestão, marcada por reformas econômicas e instabilidade política. A ausência de vozes críticas, especialmente de membros do Partido dos Trabalhadores (PT), levanta questões sobre a imparcialidade da obra e sua capacidade de oferecer um panorama completo do período.
Panorama político e impacto do documentário
A produção chega em um momento em que o Brasil ainda debate os legados dos governos pós-impeachment de Dilma Rousseff. Temer, que assumiu após o afastamento da petista em 2016, implementou medidas como a reforma trabalhista e o teto de gastos, mas também enfrentou denúncias de corrupção e impopularidade. O documentário, ao focar exclusivamente em aliados e apoiadores, pode ser visto como uma tentativa de reescrever a história recente, ignorando as críticas que marcaram seu governo.
Segundo informações da Folha de S.Paulo, o filme inclui entrevistas com figuras como o ex-ministro Henrique Meirelles e o ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia, mas exclui qualquer menção a petistas ou opositores. A decisão editorial gerou debates sobre a ética jornalística e a responsabilidade de documentários históricos em apresentar múltiplas perspectivas.
O ex-presidente, que atualmente atua como advogado e consultor, afirmou que o documentário é ‘uma oportunidade de mostrar o que foi feito de bom’ e que espera que o público ‘reconheça o trabalho realizado’. No entanto, críticos apontam que a falta de contrapontos pode comprometer a credibilidade da obra, especialmente em um país onde a memória política ainda é disputada.
O lançamento de ‘963 Dias’ ocorre em um contexto de crescente produção de conteúdos audiovisuais sobre a política brasileira, como a série ‘Os Dias Eram Assim’ e o documentário ‘O Processo’, que abordaram o impeachment de Dilma Rousseff. A diferença, no entanto, é que estas obras buscaram incluir diferentes visões, enquanto a produção de Barreto optou por uma narrativa unilateral.
A expectativa é que o documentário gere debates acalorados nas redes sociais e na imprensa, especialmente entre apoiadores e críticos de Temer. Enquanto isso, o ex-presidente segue sua agenda de palestras e eventos, tentando consolidar sua imagem como um estadista que, segundo ele, ‘fez o que era necessário’ para o país.
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