Dólar recua com investidores avaliando cenário geopolítico e pesquisa Datafolha para Presidência

O dólar abriu em leve queda nesta segunda-feira (22), cotado a R$ 5,12, uma desvalorização de 0,3% em relação ao fechamento anterior. O movimento é influenciado por dois fatores principais: as negociações de paz entre EUA e Irã, que reduzem a aversão a risco global, e a repercussão da mais recente pesquisa Datafolha para a disputa presidencial, divulgada no último sábado (20).

De acordo com a sondagem do Datafolha, encomendada pela Folha de S.Paulo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem no primeiro turno, com 41% das intenções de voto, contra 31% do deputado Flávio Dino (PSB). A pesquisa, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-12345/2026, ouviu 2.500 eleitores em 180 municípios entre os dias 18 e 19 de junho, com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

O mercado financeiro, que tradicionalmente reage a cenários eleitorais, demonstrou cautela diante da vantagem do candidato petista, mas a leve queda do dólar reflete também o alívio com as tratativas diplomáticas entre Washington e Teerã. As negociações, mediadas por Omã, avançaram no fim de semana, reduzindo as tensões no Oriente Médio e, por consequência, a demanda por ativos de proteção, como o dólar.

O cenário político brasileiro, no entanto, segue como pano de fundo para as oscilações cambiais. A pesquisa Datafolha indica que, em um eventual segundo turno, Lula venceria Flávio Dino por 52% a 38%, um cenário que, segundo analistas, pode gerar incertezas sobre a política econômica futura. O mercado monitora de perto as propostas dos candidatos, especialmente no que tange ao arcabouço fiscal e à reforma tributária.

No cenário externo, o índice DXY, que mede a força do dólar ante uma cesta de seis moedas principais, operava em baixa de 0,2%, refletindo o otimismo com as negociações de paz. O petróleo, por sua vez, recuava 1,5%, aliviando pressões inflacionárias globais e contribuindo para a queda da moeda americana nos mercados emergentes.

O Banco Central não realizou intervenções no câmbio nesta manhã, e a expectativa é de que o dólar continue sensível aos desdobramentos eleitorais e geopolíticos ao longo da semana. A Agência Reuters informou que investidores estrangeiros reduziram suas posições compradas em real, mas o fluxo de capital para a bolsa brasileira ainda se mantém positivo, com entrada líquida de R$ 1,2 bilhão em junho.

Especialistas consultados pelo Portal República do Povo avaliam que a leve queda do dólar não representa uma tendência consolidada, mas sim um ajuste pontual diante de notícias positivas no front externo. A pesquisa Datafolha, embora não tenha provocado pânico, mantém o mercado em estado de alerta, especialmente diante da possibilidade de mudanças no marco regulatório fiscal.

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