Circula nas redes sociais a alegação de que a Polícia Federal (PF) teria deflagrado uma operação contra uma suposta ‘fábrica de fake news’ criada para beneficiar o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. A informação é falsa. A imagem que acompanha as publicações foi gerada por inteligência artificial (IA) e não corresponde a nenhuma ação real da PF. A própria corporação e a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) negaram a existência da operação.
As publicações, que circularam em plataformas como X, TikTok e Facebook, mostram uma foto de pessoas algemadas em uma sala com computadores, cercadas por policiais armados. Na parede, há a inscrição ‘Divisão de Investigações Gerais. SIG – Diadema’ e o brasão da Polícia Civil de São Paulo. No canto inferior, é possível ver o losango branco que simboliza o Gemini, assistente de IA do Google. As legendas descrevem o conteúdo como se fosse um registro real, citando uma suposta prisão em Diadema (SP) no dia 2 de agosto, relacionada à manipulação de pesquisas eleitorais a favor de Flávio Bolsonaro.
O Fato ou Fake, projeto de verificação do g1, procurou as assessorias da PF e da SSP-SP. A PF afirmou que ‘desconhece a operação’ e lembrou que todas as suas ações são divulgadas no site oficial, onde não há registro de qualquer operação contra grupos de manipulação de informação eleitoral em prol de Flávio Bolsonaro. No dia 2 de agosto, a PF realizou apenas quatro operações: três contra o tráfico de drogas na Bahia e no Amazonas, e uma contra empresas clandestinas de segurança em casas noturnas de Manaus.
A SSP-SP, por sua vez, informou que a foto falsa foi gerada com IA a partir de informações de uma operação real da Polícia Civil, cujo alvo era uma central telefônica de golpes. Em 28 de julho, uma central de estelionatos especializada em golpes do falso advogado, falso gerente bancário e de empréstimos foi alvo de ação policial. A imagem foi manipulada para incluir elementos que sugerissem uma operação da PF contra fake news.
Contexto político e eleitoral
As publicações falsas ganharam força nos dias seguintes à oficialização da candidatura do presidente Lula à reeleição, em convenção do PT realizada em 2 de agosto em São Paulo. A convenção do PL que lançou a candidatura de Flávio Bolsonaro havia ocorrido uma semana antes, em 25 de julho. O conteúdo falso tenta associar a suposta operação a um contexto de disputa eleitoral, mas não há qualquer evidência que sustente a alegação.
O caso reforça a importância da checagem de informações em um cenário de polarização política, onde conteúdos manipulados podem influenciar a opinião pública. A PF e a SSP-SP orientam a população a desconfiar de imagens e vídeos que circulam sem fonte oficial e a verificar a veracidade antes de compartilhar.
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