Uma década após o referendo que decidiu a saída do Reino Unido da União Europeia, a economia britânica amarga um encolhimento de 6% a 8% em relação ao que teria sido sem o Brexit, segundo estudo divulgado nesta sexta-feira (26). A pesquisa, que analisou dados oficiais e projeções econômicas, concluiu que o Produto Interno Bruto (PIB) do país produziu cerca de US$ 300 bilhões a menos em 2025, na comparação com o cenário hipotético de permanência no bloco europeu.
O levantamento, conduzido por economistas independentes e citado pela Folha de S.Paulo, aponta que o impacto negativo se acumula desde 2016, quando o resultado do plebiscito surpreendeu mercados e governos. A perda de dinamismo econômico é atribuída a fatores como barreiras comerciais, redução de investimentos estrangeiros e encolhimento da força de trabalho migrante. O estudo estima que, sem o Brexit, o PIB britânico teria sido entre US$ 3,75 trilhões e US$ 3,9 trilhões em 2025, contra os US$ 3,45 trilhões registrados.
Crise política e econômica se aprofunda
O cenário econômico adverso ocorre em meio a uma crise política que marcou a primeira década do Brexit. A instabilidade ministerial, as sucessivas trocas de primeiro-ministro e as negociações complexas com a União Europeia geraram incertezas que afetaram diretamente o ambiente de negócios. A queda de um premiê, ocorrida em junho de 2026, coroou um período de turbulência que, segundo analistas, agravou os efeitos negativos do divórcio comercial com o bloco.
O estudo também destaca que os setores mais afetados foram o industrial, o agrícola e o de serviços financeiros, que perderam competitividade com o fim da livre circulação de mercadorias e pessoas. Pequenas e médias empresas, especialmente as exportadoras, relataram aumento de custos burocráticos e alfandegários. A inflação, que atingiu picos de dois dígitos em 2023, só recentemente começou a ceder, mas o poder de compra das famílias ainda não se recuperou totalmente.
Panorama político geral
O Brexit, aprovado em referendo em 2016 e efetivado em 2020, foi apresentado por seus defensores como um movimento de soberania nacional e estímulo ao comércio global. No entanto, o estudo agora divulgado reforça as críticas de que a saída da União Europeia gerou mais custos do que benefícios. A pesquisa não aponta culpados individuais, mas sim um processo político que, segundo especialistas, foi mal planejado e executado sem avaliação de riscos adequada.
Enquanto o governo britânico tenta negociar novos acordos comerciais com países como Estados Unidos, China e Índia, os efeitos do Brexit continuam a ser sentidos no cotidiano da população. O estudo serve como alerta para outras nações que consideram processos de ruptura com blocos econômicos, mostrando que as consequências podem ser duradouras e profundas.
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