As Eleições 2026 já entram para a história antes mesmo da votação: um levantamento da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) indica que este ano terá o maior número de candidaturas indígenas já registradas no país. Segundo a organização, 191 postulantes aos cargos em disputa declararam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que descendem de povos originários, superando todas as edições anteriores desde que o tribunal passou a exigir dados de cor e raça, em 2014.
O número, embora represente um marco, ainda é tímido diante do universo de candidatos: o total corresponde a menos de 1% de todos os 20.506 pedidos de registro de candidaturas contabilizados pelo TSE até esta segunda-feira (17). Apesar disso, a Apib comemora o crescimento contínuo da participação indígena na política institucional.
Crescimento expressivo em relação às últimas eleições
Os dados da Apib mostram uma evolução consistente. Em 2022, foram 186 candidaturas indígenas; em 2014, apenas 85. O aumento agora é de quase 3% em relação às últimas eleições gerais e de quase 125% quando comparado a 2014. Para a Apib, esse recorde evidencia uma ampliação gradual, mas firme, da presença dos povos originários nos processos eleitorais.
Distribuição por cargo
O levantamento detalha a distribuição das candidaturas indígenas pelos cargos em disputa. A maioria concentra-se nas assembleias legislativas: 99 candidatos a deputado estadual. Em seguida, aparecem 75 postulantes a deputado federal, 4 a senador e 3 a governador (dado parcial, conforme tabela da Apib). A presença em disputas majoritárias, embora pequena, é significativa por representar a busca por espaços de poder executivo e legislativo federal.
Panorama geral e desafios
O recorde de candidaturas indígenas ocorre em um contexto mais amplo de debate sobre representatividade política no Brasil. Dados do TSE, divulgados na mesma semana, apontam que o perfil majoritário dos candidatos em 2026 ainda é homem, branco e empresário – o que evidencia a distância entre a diversidade da população e a composição das disputas eleitorais. A Apib, no entanto, vê com otimismo o avanço, ainda que gradual, e defende que a presença indígena nos pleitos é fundamental para pautar questões como demarcação de terras, direitos culturais e políticas públicas específicas.
O levantamento da Apib foi divulgado em meio a outras notícias relevantes do cenário eleitoral, como a regra do TSE que proíbe algoritmos de recomendação política por big techs – medida criticada pelos Estados Unidos – e a análise do perfil predominante dos candidatos. A organização reforça que, apesar do recorde, a sub-representação indígena segue sendo um desafio estrutural, exigindo políticas de incentivo e proteção de candidaturas originárias.
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