Eleições 2026: Patrimônios de presidenciáveis variam de R$ 33 mil a R$ 242 milhões; Cury lidera lista

As declarações de bens dos candidatos à Presidência da República registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até o prazo final deste sábado (15) revelam um abismo financeiro entre os postulantes: enquanto o escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) declarou R$ 242 milhões, a candidata Samara Martins (UP) informou apenas R$ 33 mil, uma diferença de 7 mil vezes. Os dados, públicos e disponíveis no DivulgaCand, mostram ainda que nomes como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) apresentam patrimônios milionários, enquanto outros, como Flávio Bolsonaro (PL), registraram crescimentos expressivos em relação a pleitos anteriores. A disparidade levanta debates sobre a concentração de riqueza entre os candidatos e o acesso à política no país.

O prazo para a entrega das declarações terminou às 19h deste sábado (15), e a Justiça Eleitoral exige que todos os candidatos informem seus bens como condição para o registro da candidatura. A medida, prevista na legislação eleitoral, permite que eleitores fiscalizem a evolução patrimonial dos postulantes e é um dos mecanismos de transparência do processo eleitoral. Os dados podem ser consultados por qualquer cidadão na plataforma DivulgaCand, mantida pelo TSE.

Extremos financeiros e concentração de riqueza

No topo da lista, Augusto Cury (Avante) declarou R$ 242 milhões, valor que inclui R$ 121 milhões em empréstimos feitos à empresa Filadélfia Nature Participações, além de R$ 54 milhões em participações societárias e R$ 33 milhões em ações. Seu vice, o ex-deputado Júlio Delgado (Avante), informou possuir R$ 3,5 milhões. Já Samara Martins (UP), com R$ 33 mil, representa o menor patrimônio entre os presidenciáveis, evidenciando a disparidade econômica na disputa.

O candidato do Novo, Romeu Zema, declarou R$ 178,7 milhões, um aumento de 37,7% em relação a 2022. Seu patrimônio está concentrado majoritariamente em participações empresariais, incluindo R$ 94,5 milhões em uma holding familiar. O vice de Zema, Eduardo Girão (Novo), declarou R$ 34,1 milhões, uma queda de 6,3% em comparação a 2018.

Na sequência, Ronaldo Caiado (PSD) informou R$ 52,5 milhões, alta de 111% ante 2022. Sua chapa tem como vice o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que declarou R$ 21 milhões, valor 311% superior ao registrado em sua última disputa eleitoral em 2008. O veterinário Wilson Grassi (Democrata) declarou R$ 50 milhões, distribuídos entre bens imóveis e participações em sociedades empresariais; sua vice, Suêd Haidar, informou R$ 460 mil.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) declarou R$ 8,2 milhões, um crescimento de 370% em relação ao que possuía em pleitos anteriores. Esse aumento expressivo chama atenção, especialmente em um cenário de polarização política, e pode gerar questionamentos sobre a origem dos recursos.

Panorama político e impacto na corrida eleitoral

As declarações de bens ocorrem em um momento de intensa movimentação na corrida presidencial de 2026. Pesquisas recentes, como a Quaest, indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno, enquanto a queda no apoio da direita não bolsonarista desafia a pré-candidatura do senador. Além disso, a eleição pode ser decidida por eleitores independentes, que representam um contingente significativo do eleitorado.

Nesse contexto, a divulgação dos patrimônios ganha relevância, pois pode influenciar a percepção pública sobre a proximidade dos candidatos com a realidade da população. Enquanto alguns postulantes acumulam fortunas, outros declaram valores modestos, o que pode reforçar discursos de renovação ou de continuidade. A transparência das informações, no entanto, é um passo fundamental para que o eleitor faça sua escolha de forma consciente.

O TSE segue recebendo as declarações até o prazo final, e a plataforma DivulgaCand permanece aberta para consulta pública. A expectativa é que novos dados, incluindo possíveis impugnações ou ajustes, sejam divulgados nos próximos dias, ampliando o debate sobre o perfil econômico dos candidatos e o financiamento da política no Brasil.

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