Um grave incidente no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió, na madrugada da última terça-feira (15), colocou em xeque a eficácia dos serviços de emergência em terminais aéreos concedidos no Brasil. O passageiro Kleberson Henrique Silvestre Coelho, de 41 anos, está internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Geral do Estado (HGE), após sofrer um mal súbito. Familiares e testemunhas denunciam uma alarmante demora no socorro e a ausência de estrutura médica adequada no local, levantando sérias questões sobre a segurança e a responsabilidade das concessionárias que administram infraestruturas críticas no país.
Segundo relatos da família de Kleberson Henrique Silvestre Coelho, que estava prestes a embarcar para Nova Jersey, nos Estados Unidos, o passageiro passou mal por volta das 4h. A mãe da vítima, Tereza, afirmou que, no momento crítico, não havia médico de plantão nem posto médico em funcionamento no aeroporto. Diante da inação oficial, foram os próprios passageiros presentes que prestaram os primeiros socorros. A equipe médica, segundo a família, levou cerca de 40 minutos para chegar após ser acionada, um tempo considerado inaceitável em uma emergência que exige agilidade. Testemunhas também questionaram a forma como o atendimento foi conduzido, apontando que o passageiro teria sido retirado do local sem a devida estabilização.
A mãe de Kleberson expressou profunda indignação com a estrutura do aeroporto e levantou suspeitas de omissão de socorro. “Os médicos não vão dizer que foi, porque se comprometem, mas eu, como mãe, posso afirmar, assim como as pessoas que estavam lá. Um aeroporto de grande porte, que recebe turistas do Brasil e do mundo, não ter esse tipo de assistência é inadmissível”, declarou Tereza, em um depoimento que ecoa a preocupação de muitos cidadãos sobre a qualidade dos serviços públicos e essenciais sob gestão privada.
A Versão da Concessionária e o Contraponto Oficial
Em contrapartida às acusações, a concessionária responsável pelo Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, a Aena Brasil, apresentou uma versão divergente dos fatos. Em nota oficial, a empresa informou que a equipe de atendimento pré-hospitalar foi acionada e chegou ao local em menos de 10 minutos. A Aena assegurou que o passageiro recebeu atendimento conforme os protocolos estabelecidos e foi encaminhado a uma unidade de saúde após uma estabilização inicial. A concessionária reiterou que o aeroporto possui desfibrilador e estrutura adequada para emergências, em conformidade com as normas vigentes, e que não houve necessidade de uso do equipamento no caso específico. O Hospital Geral do Estado (HGE), por sua vez, confirmou que o paciente deu entrada após apresentar rebaixamento do nível de consciência e permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva.
Panorama Político: Concessões, Fiscalização e a Saúde Pública
Este incidente em Maceió não é um caso isolado e se insere em um panorama mais amplo de debates sobre as concessões de infraestrutura no Brasil. A privatização e a concessão de aeroportos, rodovias e outros serviços essenciais foram promovidas sob a promessa de maior eficiência e qualidade. Contudo, episódios como o de Kleberson Henrique Silvestre Coelho levantam questionamentos cruciais sobre a fiscalização efetiva dessas concessões por parte das agências reguladoras, como a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). A garantia de serviços de emergência de alta qualidade em locais de grande fluxo de pessoas é uma questão de saúde pública e segurança nacional, que não pode ser negligenciada em nome do lucro.
A voz ativa da população, como a de Tereza e das testemunhas, torna-se fundamental para cobrar transparência e prestação de contas das concessionárias e do poder público. A ausência de um posto médico em funcionamento ou a demora no atendimento em um aeroporto internacional são falhas que podem ter consequências trágicas e que exigem uma revisão urgente dos contratos de concessão e dos mecanismos de fiscalização. Assim como outros desafios que o estado de Alagoas enfrenta, como o tráfico de animais, a garantia de serviços essenciais em infraestruturas concedidas é um ponto crítico que demanda atenção contínua e rigorosa das autoridades e da sociedade civil.
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