Empatados na última pesquisa Quaest de intenções de voto para a Presidência, Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) miram um objetivo em comum: vencer o desconhecimento e conquistar novos eleitores. Enquanto Santos tem um percentual de 70% de desconhecimento, Caiado aparece com 48%, de acordo com o levantamento divulgado em 10 de junho. Ambos têm 3% das intenções de voto cada, numericamente à frente de Romeu Zema (Novo) e Aécio Neves (PSDB), que aparecem com 2%. Lula (PT) lidera com 39% e Flávio Bolsonaro (PL) tem 29% na simulação de primeiro turno. Assim como Flávio, Santos e Caiado também sediarão os QGs em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.
Para tornar-se mais conhecido, aliados do pré-candidato do Missão — partido criado em novembro do ano passado por integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) — apostam nas redes sociais e em viagens pelo país. A produção de vídeos tem se intensificado, incluindo críticas a oponentes na disputa, como Flávio e Eduardo Bolsonaro, e análise de temas em voga com potencial de engajamento, como Copa do Mundo e crimes de repercussão. Vídeos curtos e dinâmicos. Um integrante da campanha destaca que, em um mês, Santos registrou um salto no número de seguidores — no Instagram, acumula 1,6 milhão de seguidores.
Nesta quarta-feira (17), o pré-candidato esteve no Pará e pretende passar por Rio, Brasília e Rio Grande do Sul nos próximos dias. Busca se apresentar e divulgar o Livro Amarelo, cartilha do Missão, com propostas do partido para o país. A aproximação com a Faria Lima é outro objetivo. Na última semana, participou de um evento promovido pela Genial Investimentos para clientes da instituição, no qual se apresentou e debateu propostas.
Desafios financeiros e estratégias de campanha
A pré-campanha de Santos enfrenta o obstáculo da falta de recursos. O Missão terá direito à cota mínima de 2% do fundo eleitoral a que todos os partidos registrados no TSE têm direito em 2026 — cerca de R$ 3,3 milhões. Como os candidatos a deputado federal devem ser a prioridade, de olho em um aumento na bancada no Congresso, o presidenciável criou uma “vaquinha virtual” para bancar despesas. Já arrecadou mais de R$ 1,1 milhão, doados por 18 mil pessoas. As campanhas de financiamento coletivo na internet estão liberadas desde 15 de maio, respeitados os limites impostos pela legislação. A vice segue indefinida, e um aliado diz que Santos segue aberto para o diálogo com outros partidos, inclusive PSD e Novo. Um convite para integrar uma chapa oponente, no entanto, ainda não teria ocorrido.
Caiado, por sua vez, tem focado a construção de alianças e de agendas. Um estrategista da campanha classifica o momento como de consolidação de apoios e de ampliação do reconhecimento entre os eleitores. O cenário político geral aponta para uma disputa fragmentada na direita, com Flávio Bolsonaro perdendo força, mas rivais como Santos e Caiado ainda não conseguindo herdar os votos anti-Lula de forma expressiva, conforme revela a Pesquisa Quaest. A mesma pesquisa indica que eleitores independentes podem decidir a eleição de 2026, o que reforça a necessidade de ambos os pré-candidatos reduzirem o desconhecimento e ampliarem sua base de apoio.
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